segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Suiniculturas em São João: uma resposta do Ministério da Agricultura

A resposta a um dos requerimentos apresentados pelo deputado José Gusmão do Bloco de Esquerda sobre o problema da poluição causada pelas suiniculturas em São João da Ribeira já chegou, assinada pelo Ministério da Agricultura.
No que diz respeito a uma das suiniculturas, da responsabilidade da empresa Suinvest a sua certificação está dependente da apresentação do “Plano de Gestão de Efluentes Pecuários” até Setembro de 2011. E, no que diz respeito às suiniculturas pertença da Agro-pecuária Valinho, é afirmado que “os processos necessitam de convite ao aperfeiçoamento  para que possam ser tramitados”.
Esta resposta está disponibilizada na íntegra aqui.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A palavra de Ruy Belo

Por António Costa

É um pensamento persistente, este de não deixar "calar, amordaçar, reduzir," a memória, a vida e a obra de um concidadão que apenas conheço pelo seu legado, em letra de forma.

Não pretendo, antes pelo contrário, engrossar o número daqueles que o próprio poeta menciona (em Breve Programa para Uma Iniciação ao Canto): «Alguém se encarregará de institucionalizar o escritor, desde os amigos, (...), até aquelas pessoas ou coisas que abominou e combateu. (...). Servir-se-ão dele, utilizá-lo-ão, homenageá-lo-ão. Sabem que assim o conseguirão calar, amordaçar, reduzir.» (Ruy Belo - Todos os Poemas, Círculo de Leitores, Lisboa, 2000, p. 267).

Sendo assim, não vou falar de Ruy Belo recorrendo a informações biográficas que outrem recolheu, concerteza com finalidades legítimas e tidas por imprescindíveis para o que é costume considerar-se o conhecimento de alguém. Vou antes dar a palavra ao próprio e ouvi-lo com toda a atenção.

Segundo os registos, Ruy Belo nasceu a 27 de Fevereiro de 1933, em S. João da Ribeira, concelho de Rio Maior, e regressou à terra, vítima de um edema pulmonar, precocemente, em 8 de Agosto de 1978, em Monte Abraão, Queluz. Ironia das ironias, nasceu na "Sintra" do Ribatejo e falece em Sintra.

A sua existência foi cheia e intensamente vivida, onde a terra, a vida e a morte, foram por ele reflectidas. Poeta, ensaísta, crítico literário, tradutor, professor, sem se demitir de cidadão universal comprometido e interventivo ou como o próprio refere em ("Nota do Autor" a País Possível) «Este livro (...). É um livro novo, (...), porque a ele, (...) preside índubitavelmente uma unidade temática: a do mal-estar de um homem que, ao longo da vida, tem pagado caro o preço por haver nascido em Portugal; a problemática de uma consciência que sofre as contradições próprias da sociedade em que vive (...); que se vai suicidando lentamente porque essa sociedade o destrói e assassina e o censura e a censura se instala na sua própria consciência. Unidade essa devida ao facto de estes poemas serem uma reflexão sobre o próprio poeta e a realidade que o rodeia, de serem uma forma de intervenção, de compromisso, de luta por um mundo melhor (...) sem, (...) o poeta pactuar com demagogia, com o oportunismo que afinal representa não ver primordialmente na arte criação de beleza, construção de objectos tanto quanto possível belos em si mesmos, (...) a arte é difícil e precisa que, através da educação, da divulgação, da interpretação, quem a receber possa assim e só assim ter acesso a ela e assim se sentir vivo, vertical e assim actuar, intervir.» (ibidem, p. 361.)

A sua essência de poeta não está sublimada ao ponto de se ausentar da vida, em particular da vida concreta, vivida pelos outros homens, Ruy Belo é: «... um homem que sente na poesia a sua mais profunda razão de vida mas se sente, simultaneamente, solidário com os outros homens, que talvez tenham dificuldade em compreendê-lo porque houve quem se empenhasse em que não compreendessem, nem pensassem, porque pensar é realmente um perigo, o maior dos perigos. Pensar, pensar como um homem que nasceu livre e quer morrer livre, leva depois inevitavelmente a actuar, a lutar contra qualquer forma de opressão.» (ibidem, p. 362).

Esta sua declaração, ficou inscrita na sociedade ao intervir activamente nas greves académicas de 1962, na oposição ao regime ditatorial, nas listas da Comissão Eleitoral de Unidade Democrática (CEUD), em 1969. O que levou a que as suas actividades fossem vigiadas e condicionadas pela Polícia Internacional e Defesa do Estado (PIDE). Esta sua atitude torna-se ainda mais significativa, tendo em consideração que ainda muito jovem, em 1951, ingressa na Opus Dei que abandona dez anos depois (1961).

Ruy Belo
Como cidadão universal não se alheou do que se passava no planeta, estando atento e, também, interventivo, participativo e solidário, com a luta de cidadãs e cidadãos como deixa claro (em Requiem por Salvador Allende): « obrigada salvador allende obrigada por essa tua vida de cabeça erguida só agora tombada trespassada pela bala que leva uma vida (...). Foi no ano de mil novecentos e setenta (...) que uma coligação (...) popular tomou pela via legal conta do poder no chile legalidade sempre respeitada por ti allende mas por fim desrespeitada pelos militares pelas direitas pela cristã democracia partido bem pouco cristã e pouco democrático Falavas tu dizias a verdade ...» (ibidem, p. 519)

Por último: «No meu país não acontece nada / à terra vai-se pela estrada em frente / Novembro é quanta cor o céu consente / às casas com que o frio abre a praça ...» (ibidem, p. 153).

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Auditoria revela irregularidades na Desmor

Segundo o Jornal "O Mirante", a auditoria às contas de 2009 da Desmor, a empresa municipal de desporto de Rio Maior, revelou várias irregularidades: "aquisição de serviços não enquadrados no Código de Contratação Pública, aquisições que deveriam ter sido aprovadas em reunião de câmara, proveitos de um ano que transitaram para os resultados de outro, subsídios para investimento superiores aos gastos efectuados, falta de controlo e grande informalidade nas operações internas são algumas das conclusões a que chegou a auditoria externa contratada para analisar as contas de 2009."
Acrescentando-se na auditoria que "foi prática desde 2001 nunca se alocar determinado subsídio a determinado bem. “Em três anos o valor do subsídio foi superior ao investimento realizado", notando-se a "inexistência de normas de controlo interno e de manuais de procedimentos nas diferentes áreas" e a ausência de "uma inventariação do património da Desmor, principalmente aquele que é cedido pelo município, que exigiria mais cuidado na sua manutenção e salvaguarda".

Reportagem vídeo: debate sobre o Rio Maior promovido pelo movimento Ar Puro

O movimento cívico Ar Puro realizou, no passado domingo um debate sobre o Rio Maior. Como já tinha noticiado aqui, os oradores foram: Nazaré Varela, autora de um estudo sobre São João da Ribeira, Paulo Constantino, do Movimento PróTejo, Valdemar Gomes, do Clube do Mato, e Carlos Frazão vice-presidente da Câmara de Rio Maior. Mas, para além das apresentações feitas pelos oradores, este debate tornou-se  um espaço em que mais de cinquenta pessoas cruzaram as suas memórias sobre o que este rio foi, criticaram o estado a que chegou devido à poluição e à negligência e pensaram nas potencialidades do Rio que atravessa e dá nome ao concelho de Rio Maior.
A maiortv fez uma reportagem sobre o que passou. Clicar aqui para ver.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O que é ser ribatejano e quão ribatejano é o concelho de Rio Maior?



Uma famosa rábula do programa de televisão “cinco para a meia noite” faz uma caricatura chamada os “ribatexanos”. Humor é humor e a distância é grande entre ribatejanos e esses estranhos cowboys tugas, snobs e ridículos, que são os ribatexanos. Mas a peça de humor é um início possível para colocar a questão sobre o que significa ser ribatejano.
Por sua vez, Joaquim António Emídio, coloca a mesma questão de um modo mais reflectido no blogue em que reproduz as crónicas que assina na última página do jornal Mirante.
A sua reflexão coloca algumas questões interessantes sobre a diferença entre o Ribatejo mais desenvolvido e o Ribatejo interior considerando que: “No interior ainda há um povo agarrado às suas raízes, vigilante, colaborador e solidário, bairrista quanto baste para manter o clube de futebol, o grupo de teatro, o rancho folclórico, entre outras associações. Ao contrário, no Ribatejo mais próximo das vias rápidas, onde o território é mais habitado e o povo aparenta ter melhores condições de vida, parece que estamos todos acomodados à espera que a solução para os nossos problemas caia do céu.”
A reflexão do autor condu-lo para outro lado que não o aprofundamento desta questão, acabando por culpar políticos, associações e sindicatos dos problemas do país e deixando entender que o que se salva é a “terra da boa” a que haveria de voltar para o país sair da situação em que se encontra.
Não é sobre essa estratégia de “regresso à terra” que aqui se quer escrever agora aqui, interessam-nos mais as questões que ficam penduradas. Não só as que são, poderíamos dizer para simplificar, de “Antropologia Cultural” (como se constroem e vivem as identidades locais e como se relacionam com as regionais, de que forma existem estas identidades, são vividas como naturais ou como artificiais, há ou não uma identidade ribatejana, ou até como é que a existência de um construto político-simbólico chamado  “Ribatejo” influenciou as vivências etc.) mas também as questões políticas mais propriamente ditas, numa altura em que se anuncia uma futura regionalização e em que, portanto, a entidade já de si sem poderes efectivos chamada “Ribatejo” poderá (recorde-se que as propostas existentes consideram a possibilidade de uma região chamada “Estremadura e Ribatejo” ou de uma região maior chamada “Lisboa e Vale do Tejo) ser dissolvida numa outra entidade política desta feita com poderes reais. Essa futura regionalização do país irá afectar como o território do Ribatejo e Rio Maior em particular? O que acontecerá à actual divisão entre realidades de gestão intermunicipal que existe? Recorde-se que, por exemplo, no que diz respeito às águas Rio Maior parece pertencer ao Oeste. E, para receber fundos, parece que Rio Maior afinal é Alentejo…

Carlos Carujo

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