sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
RUY BELO: " A POESIA É UM ACTO DE INSUBORDINAÇÃO..."
Rui de Moura Ribeiro Belo nasceu a 27 de Fevereiro de 1933, em São João da Ribeira, concelho de Rio Maior.
Nesse mesmo ano, a 19 de Março, era aprovada a nova Constituição num plebiscito em que as abstenções foram contadas como votos a favor. E assim terminava a ditadura militar e se consolidava/instituía a fascista. Os direitos, liberdades e garantias fundamentais dos cidadãos, teoricamente reconhecidos no seu artigo 8.º, eram abolidos na legislação regulamentadora que mantinha a censura prévia, impedia o exercício do direito de livre associação política e sindical e instituía a polícia política (PVDE - Polícia de Vigilância e Defesa do Estado) sob controle directo do presidente do Conselho de Ministros. Polícia política, que também perseguiu, vigiou e controlou a vida de Ruy Belo.
Porque inquieto e subversivo com as palavras " A poesia é um acto de insubordinação a todos os níveis, desde o nível da linguagem como instrumento de comunicação, até ao nível do conformismo, da conivência com a ordem, qualquer ordem estabelecida."
Falamos "... do homem que, ombro a ombro com os oprimidos, empunhando a palavra como uma enxada ou uma arma, encontrou ou pelo menos procurou na linguagem um contorno para o silêncio que há no vento, no mar, nos campos."
CANÇÃO DO CAVADOR
Não há cavador só do exterior
Desgastou-o a terra tornou-se terra
fechou-lhe a boca gretou-lhe a pele
não há cavador só do exterior
Não há cavador só do exterior
Da fome é sua cor é tão pobre que não conhece o calor
a vida mirrou-o o senhor usou-o
não há cavador só do exterior
Não há cavador só do exterior
Fez um poço tão fundo que cabe lá dentro o mundo
a terra fez nele uma ferida e ele deixou a mulher parida
não há cavador só do exterior
Não há cavador só do exterior
Arroteou montes fez correr fontes
regos rugas na cara que o choro fura
não há cavador só do exterior
Não há cavador só do exterior
Ele a cuspir nas mãos e a cavar a chuva a cair o sol a queimar
em casa a mulher foi casar e fiar parir e chorar
não há cavador só do exterior
Não há cavador só do exterior
A terra deixou de dar teve de emigrar
e embora estar fora lhe doa a tudo ele se afeiçoa
não há cavador só do exterior
Não há cavador só do exterior
Cava tudo a eito arranca uma pedra tem uma pedra no peito
uma lasca de pedra num olho e é já de terra o seu corpo velho
não há cavador só do exterior
Não há cavador só do exterior
A enxada sobe a enxada desce e o campo de grão floresce
sai de casa quando o dia nasce volta quando a noite desce
não há cavador só do exterior
Não há cavador só do exterior
Há mãos suas na bandeira do milho na espuma roxa do vinho
passou-lhe até para o gosto o travo do mosto
não há cavador só do exterior
Não há cavador só do exterior
A courela dá a água a flor mas o cavador dá apenas dor
vem de volta da vida só traz uma enxada
não há cavador só do exterior
Não há cavador só do exterior
Só tem pele e osso deixou as palavras nos dias de moço
foi moço e foi forte mas entranhou-se-lhe no corpo a morte
não há cavador só do exterior
Bibliografia consultada:
RUY BELO – Todos os Poemas, Círculo de Leitores, Lisboa, 2000, pp. 267/8 e 478/9
História Universal - Imperialismo Moderno; Guerras Mundiais; A Década de 80, Círculo de Leitores, Lisboa, 1990, p. 255
domingo, 14 de fevereiro de 2016
RUY BELO, POETA E CIDADÃO UNIVERSAL
Sophia de Mello Breyner Andresen, escreveu no seu poemaCantata da Paz
Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
...
Nos idos de 1973, Ruy Belo escreveu o
poema que passamos a transcrever:
A GUERRA COMEÇOU HÁ TRINTA E QUATRO
ANOS
Enquanto nesta manhã tão calma tão
horizontal tão lisa
que me apetece passar-lhe a mão pelo
dorso certamente dócil
manhã sem nenhuma ruga na testa e com
uma superfície total
que talvez se possa medir em
quilómetros quadrados
manhã primeira parte de um dia que
agora
depois de ter olhado o relógio sei ser
o dia um de setembro
enquanto nesta manhã como aliás nas
demais manhãs dos dias de praia
vou lendo atento o jornal e aqui
sentado com o mar ao fundo sei
entre outras coisas que o navio-escola
sagres voltou ao tejo
e que um soldado morreu como quase
sempre por acidente em angola
e que há serras em chama no funchal
chamas talvez destruindo
sítios porventura importantes na
evolução da acção de um romance que ando
a ler
de súbito sei e não só sei mas sinto
com uma sensibilidade mais funda
que a guerra começou faz hoje trinta e
quatro anos
Eu era então muito novo tão novo que
sentia necessidade de me encostar à
janela
e olhava talvez sem os ver os pauis que
havia nas traseiras da casa
Não sei se fazia mais alguma coisa mas
lembro-me que estava
junto à janela de costas voltadas para
a penumbra e olhava os pauis
e esperava que a minha mãe se acabasse
de arranjar para irmos todos
ao som de guizos e do trote do cavalo à
feira de rio maior
onde nunca mais voltei mas sei que
havia muitas barracas muitas pessoas
o gado todo a um lado e no meio do
calor e do pó
sabia bem beber sofregamente o líquido
gasoso de um pirolito
após uma leve pressão no berlinde de
vidro que obstruía o gargalo da garrafa
Devia sentir-me um pouco inquieto o
soalho rangeria sob os passos
alguma coisa oscilaria na habitual
monotonia da minha infância
quando ouvi dizer à minha mãe ou a
alguém que o viera à pressa dizer
à minha mãe que a guerra tinha
começado
Eu não devia saber nesse tempo muito
de guerras mas havia ainda
gaseados da primeira grande guerra na
minha pequena terra
lembrava-me da chegada precipitada de
grupos de gente
fugida em grandes carroças da guerra
de espanha
pressentia que muitas pessoas na guerra
ficaram a morder para sempre a terra
Na feira de rio maior donde o meu pai
lembro-me sempre voltava
com cadeiras de madeira de choupo e
cebolas para todo o ano
já os ardinas por entre a poeira
apregoavam os jornais
repetindo os dizeres dos grossos
títulos da primeira página
onde de uma maneira ou de outra se
dizia que a guerra tinha começado
E no meio daquela poeira muita gente
comprava o jornal e ficava
a saber por si que a guerra tinha
começado e as circunstâncias
mais ou menos pormenorizadas em que
tinha começado
Em grupos de gente aqui ou ali na terra
de barro vermelho
falava-se alto de dantzig de varsóvia
das diligências empreendidas pelas chan-
celarias anglo-francesas
das seis cidades polacas nesse dia
bombardeadas pela aviação alemã
Os dias depois começaram de novo a
correr eu em casa do médico
seguia nos mapas o avanço das tropas
alemãs
via na cidade inúmeros filmes ingleses
americanos e franceses
assistia a conferências da alliance
française e como no filme casablanca
cantava-se a marselhesa. Eu saía
sozinho da sala
era noite na rua e então eu saboreava
na boca as sílabas lentas
da vagarosa da vigorosa palavra
liberdade
palavra perigosa por vezes proibida
quase sempre mais ou menos discreta-
mente controlada
A comida faltava nesse tempo via-se bem
que faltava
formavam-se compridas bichas à porta
das lojas
o próprio pão era pouco na praia
comíamos pão de batata vindo de alfeizerão
Um dia alguma coisa no céu do tempo se
modificou lembro-me que
apedrejaram na cidade a sapataria onde
antes se distribuía
a propaganda nazi outra palavra pairava
no ar
era a palavra paz palavra pequena e
grande
Quase toda a gente da cidade saiu para
as ruas
sem eu perceber porquê um homem a meu
lado foi preso ao dar um viva à rússia
a bandeira do consulado inglês
ondulava ao vento entre as árvores
dançava-se nos largos até homens com
homens dançavam havia
uma grande fogueira no quintal ao lado
da casa onde eu estava
ficámos todos a falar longamente pela
noite dentro
Faz hoje precisamente trinta e quatro
anos que a guerra começou
a manhã de hoje é horizontal e lisa
sem rugas na testa
o sol ilumina os seus muitos
quilómetros quadrados de superfície
fecho o jornal e de súbito sem eu
próprio saber bem porquê
sinto pena de que agora que a guerra
acabou quase há vinte e oito anos
mais um soldado tenha morrido por
acidente em angola
RUY BELO – Todos os Poemas,
Círculo de Leitores, Lisboa,
2000, pp.476 a 478.
Nota: Ruy Belo, neste poema, transporta-nos até aos acontecimentos e suas consequências de quatro guerras, a saber: Primeira Guerra Mundial (1914/1918); Luta Contra a Implementação do Fascismo em Espanha (1935/1938); Segunda Guerra Mundial (1939/1945); e, Guerra Colonial, levada a cabo pela ditadura fascista de Portugal, onde morreram nove mil jovens portugueses, catorze mil ficaram deficientes físicos e cerca de cento e quarente mil com traumas de guerra (1961/1974).
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
Rede de Economia Solidária nascida em Chãos
Nascida e criada em Chãos rede portuguesa de Economia Solidária.
Terra Chã na conferência sobre economia solidária em Portugal.
No dia 17 de outubro de 2015 reuniu na
Cooperativa Terra Chã, na aldeia de Chãos (Alcobertas – Rio Maior), a
Assembleia Geral da Rede Portuguesa de Economia Solidária, registando a
participação de 35 pessoas, quer em nome individual, quer de diversas
organizações.
O processo de formação desta rede de
conhecimento, de processos e de experiências de uma OUTRA ECONOMIA
começou na aldeia de Chãos, no dia 22 de novembro de 2014, com a
realização do seminário “economia social e solidária, um caminho para o
desenvolvimento do local” com a presença de especialistas franceses,
espanhóis e italianos e cerca de 90 participantes de diversas
universidades e institutos politécnicos, cooperativas, associações e
investigadores.
A pertinência do debate levou a que se
equacionasse a formação de uma plataforma portuguesa de economia
solidária com o objectivo de valorizar e tornar visíveis as
experiências e os processos que se reclamam de uma outra economia e de
clarificar e enriquecer o conceito e os conteúdos que dão sentido à
Economia Solidária.
Constituiu-se um grupo de trabalho que
reuniu regularmente, tendo marcado para o dia 8 de agosto de 2015 uma
primeira Assembleia Geral, na aldeia de Chãos. Vinte pessoas
participaram na reunião e decidiram criar a Rede portuguesa de Economia
Solidária, discutindo um Manifesto, com princípios orientadores,
objectivos e propostas de ações, mandatando, ainda, uma Comissão
Coordenadora para a dinamização do processo.
No dia 17 de outubro aconteceu na aldeia
de Chãos a 2ª Assembleia Geral. Rumaram a Chãos 35 pessoas em
representação de cooperativas, associações, universidades, grupos
informais e em nome individual que reclamam uma visão de economia
plural, geradora de produção, de trocas, de consumos, de rendimentos, de
poupança e investimentos onde não podem ser estranhos conceitos e
práticas como a Solidariedade, a Ecologia, a Diversidade Cultural, a
Reflexão Crítica, a Democracia Participativa e o Desenvolvimento Local.
É preciso uma outra economia que respeite a vida, a diversidade, a solidariedade emancipatória não caritativa, que valorize a equidade e a transparência.
Júlio Ricardo, elemento diretivo da Cooperativa Terra Chã e da Comissão Coordenadora da RPES reafirma a “pertinência
de uma economia alternativa que respeite valores, pessoas, a ecologia e
a democracia. A aldeia de Chãos tem desenvolvido um processo de
desenvolvimento local a partir de uma nova abordagem económica onde se
conjuga cultura local, respeito pela natureza, pela biodiversidade e
criação de riqueza local. Este processo tem sido reconhecido, objeto de
estudo e de investigação e resolvemos desencadear este processo de
criação da Rede de Economia Solidária para dar visibilidade e dinamizar
uma profícua cooperação entre pessoas, organizações e instituições.
Tivemos em Chãos três Universidades Portuguesas (ISCTE, Universidade de
Coimbra e Universidade do Porto) e investigadores franceses e catalães e
é tempo de unir esforços e partilhar experiências”.
Na Assembleia Geral do dia 17 de
outubro, apresentaram-se e ratificaram-se os 45 membros fundadores,
definiram-se os critérios de admissão de novos membros e formaram-se
grupos de trabalho com a responsabilidade de pensar a formalização da
rede, estruturar a rede a nível do país e ainda conceber um plano de
atividades.
Júlio Ricardo disse que “se prevê, para 2016, a realização em Chãos de uma
Universidade de Verão de Economia Solidária, tendo como animadores
professores universitários europeus e brasileiros de Economia Solidária,
destinada a estudantes de mestrado, doutoramento, outros investigadores
e estudantes interessados”.
Este processo que se iniciou em Chãos continuou no dia 5 de dezembro, na cidade de Coimbra, com nova assembleia geral.
Excerto de texto publicado na imprensa catalã, referindo a aldeia de Chãos, a propósito da constituição da Rede Portuguesa de Economia Solidária, assinado por um professor da Universidade de Barcelona.
Una
buena noticia recorre la península ibérica. Se ha creado la Red
Portuguesa de la Economía Solidaria (RPES). Hace aproximadamente un año,
en un encuentro celebrado en Chaos, pequeña aldea situada en el centro
de Portugal, Rogerio Roque Amaro, profesor del ICSTE, universidad en la
que desde hace más de diez años existe un doctorado de economía social y
solidaria, lanzó la idea de crear una red de economía solidaria en
Portugal. Después de una primera sorpresa, el reto lanzado fue recogido
por un conjunto de personas y organizaciones que se coordinaron para
materializar dicha idea.
El 8
de Agosto de este verano se llevó a cabo la asamblea fundacional en
Chaos donde desde hace muchos años se desarrolla una de las experiencias
más interesantes de la economía solidaria de nuestro vecino país. En
esta reunión, los miembros fundadores adoptaron diferentes decisiones:
elaborar un manifiesto y un logotipo, crear unos grupos de trabajo,
difundir el proyecto, adoptar unos criterios de entrada, que han sido
discutidas y mejoradas. Una Comisión Coordinadora ha preparado la
asamblea general que ha tenido lugar este 17 de octubre.
Texto: A. J.
Nota: pelo seu interesse e importância publicamos na integra este artigo publicado no Semanário Independente Região de Rio Maior de 11/01/2016. www.regiãoderiomaior.pt
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
A FARSA OU O CUMULO DA HIPOCRISIA
Os deputados Teresa Leal Coelho, Nuno Serra e Duarte Marques (PDS), eleitos pelo circulo eleitoral de Santarém, pedem reunião urgente com o ministro do ambiente devido a poluição no Tejo, nas últimas semanas, noticia o Mirante de 7/01/2015.
Estamos perante uma flagrante e evidente falta de decoro e seriedade política e intelectual, mesmo de oportunismo e descarado populismo demagógico.
O rio Tejo e os seus afluentes à décadas que estão a ser vítimas, das mais variadas agressões que colocam em causa a sua vida, cultura e subsistência das populações ribeirinhas, por exemplo: a mortandade de peixe, a construção de diques que impedem as espécies piscícolas de subir o rio, para desovar, a falta de caudal, devido ao transvase, que origina a salinização das águas do Tejo, etc., com a cumplicidade dos vários governos e do PSD.
O anterior governo (PSD-CDS), sempre que lhe foram apresentadas "provas, evidências da poluição e discutir novas acções que possam vir a inverter este processo de destruição do rio", responderam com políticas e acções que deram cobertura aos crimes ecológicos, contribuindo activamente para o estado actual.
Este não resulta de acontecimentos das últimas semanas, mas antes são resultado de decisões políticas e sociais anteriores, como bem sabem os movimentos ecologistas, cívicos e de cidadania, assim como os ditos deputados.
Por último, os movimentos ecologistas, de cidadania, cívicos e cidadãos singulares, vão continuar a sua acção em defesa do Tejo e seus afluentes e a exigir, ao actual governo, a definição de políticas e medidas concretas, para inverter este processo de destruição dos rios, e da poluição generalizada, do ar, da água e dos solos.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
O património subterrâneo, a cidadania e a educação
O Projecto de Cidadania "Dar a vez e a voz aos Cidadãos", partilha este interessante artigo, escrito por Carlos Carujo, sobre a problemática do património, da cidadania e da educação, a propósito da abertura, no dia 6 de Dezembro, das comemorações do Centenário da Mina do Espadanal, realizadas pela EICEL1920, e publicado no jornal "O Riomaiorense".
Podem consultar o programa das comemorações e ler um conjunto de artigos relacionados com a história e a defesa do património mineiro, em: www.oriomaiorense.com
As
cidades transformam-se. Não as podemos querer imóveis, paradas no tempo
da nossa infância, nem devemos fechar-nos no sonho do regresso a um
passado imaginado. Mas também não devemos cair no erro de celebrar a
mudança pela mudança, com a febre da modernização desenfreada do eterno
presente da moda, um tempo sem passado e sem espessura histórica. Ao
exagero regressivo romântico não podemos opor o exagero
pseudo-progressista pós-moderno.
A
voragem produtivista e capitalista tem sido a principal força motriz da
transformação da cidade contemporânea. Assim, tem mandado mais a pressa
do lucro do que o cuidado do planeamento. A ela se juntam processos de
suburbanização, descaracterização, perda de sentimento de pertença e de
vizinhança etc., tendências destruidoras de lugares e de solidariedades.
A cidade arrisca tornar-se um espaço cheio de pessoas mas vazio de
relações, com algumas fachadas actualizadas segundo a estética preferida
no momento mas intrinsecamente feio, atravessado por
disfuncionalidades, homogeneizado por um lado mas feito de distinções
sociais vincadas por outro.
A
contratempo destas transformações encontramo-nos com o património. E é
exactamente por isso que é preciso começar por esclarecer que defender o
património não implica ficar nessa posição do conservadorismo que
procura que tudo fique sempre igual: há coisas que devem mudar, outras
que seria bom que permanecessem e as mudanças tanto podem ser para
melhor ou para pior. É uma questão de escolhas, ou seja, de políticas
públicas.
O
que é então isso do património que parece não se encaixar nesta pressão
para mudar? O património podem ser muitas coisas diferentes: os
monumentos que alguns pensam ser «velharias», os bairros antigos que se
procura «modernizar» à força, os espaços naturais que não estão
«rentabilizados», as praças desenhadas para serem o espaço comum, lugar
de encontros, das controvérsias e das festas. Mas o património é ainda
mais do que isso. É o que permite a cidade reconhecer-se nas suas
identidades contraditórias e plurívocas, nas suas miscigenações e fluxos
de população. O património são ainda as nossas memórias partilhadas, os
modos de dizer, de fazer, de criar que guardamos como nossos.
Esta
diversidade faz ruir a crença comodista que alguns gostam de cultivar
de que não é preciso fazer nada para salvaguardar o património local: o
património seria automaticamente imune à força das mudanças porque o seu
reconhecimento e defesa seriam consensuais... quando muito
discutir-se-ia a sua prioridade no investimento dos dinheiros públicos.
Mas se formos para além de uma visão monumental e estreita do
património, como é fundamental, descobriremos que a concepção sobre o
que pertence a esta esfera de preservação está em discussão permanente.
Uma cidade democrática rediscute o que é o seu património. Ao fazê-lo,
redescobre-se mais rica e enfrenta desafios mais exigentes.
É
importante por isso distinguir. Há um património «domesticado» e fácil,
que o poder político gosta de usar na lapela, que se moldou aos
interesses económicos do turismo e que, por vezes, é como que forçado a
contar uma versão dominante da história que poucos têm paciência e meios
para contestar. Esse, não descurando a sua importância, tem
habitualmente um lugar cativo na cidade. E, depois, há muitos outros
patrimónios esquecidos, insubmissos, subterrâneos. Esses é urgente
resgatar porque estão mais ameaçados: não são (re)conhecidos, o seu
valor não tem preço, as suas subtilezas e temporalidades próprias são
negadas. O passado mineiro de Rio Maior é um bom exemplo de património
subterrâneo. Não apenas no sentido em que parte importante da sua
história foi o trabalho duro debaixo da terra mas sobretudo no sentido
em que se foi sofrendo a sua invisibilização nas consciências e a sua
deterioração no espaço da cidade.
O
que será preciso fazer para salvaguardar o património que se encontre
menorizado? A condição básica é a existência de um poder político
democrático, transparente e independente de interesses económicos
especulativos. E é fundamental que a este se some a força criativa da
cidadania activa, a mobilização dos muitos de que é feita a cidade. Para
que esta mobilização aconteça, é preciso que o património seja vivido
de alguma forma, que a memória o desvele aos nossos afectos, que o
conheçamos e respeitemos. Porque aquilo que não se conhece, não se cuida
e poderá assim ser facilmente destruído pela ganância ou pela incúria.
Portanto, este cuidar para que a cidadania está convocada deverá passar necessariamente por um trabalho de estudo e de educação.
Em
Rio Maior, a cidadania tem vindo a despertar para a importância do
património mineiro que mudou definitivamente a cidade em meados do
século passado. Há já muito conhecimento acumulado que pode permitir
despertar consciências. Assim sendo, uma das tarefas que se coloca agora
será o trabalho educativo sobre este património. Com o património
edificado a deteriorar-se e com a lei da vida a continuar a sua acção
cega que nos rouba os actores sociais que nos poderiam ensinar mais
sobre o passado mineiro, torna-se urgente um plano educativo
multidisciplinar para dar a conhecer aos vários níveis educativos do
concelho a memória dos trabalhadores, os modelos produtivos, a geologia,
o património arquitectónico etc. Todo um currículo local a ser
construído participativamente com especialistas, professores,
associações e os guardiães destas memórias que poderá permitir que as
novas gerações conheçam, cuidem e se mobilizem. É tempo de procurar
aprender para depois transformar a cidade para melhor a partir desta
memória viva.
Carlos Carujo
EM DEFESA DOS POSTOS DE TRABALHO, NA UNICER.

O PROJECTO DE CIDADANIA APOIA A LUTA DOS TRABALHADORES, EM DEFESA DOS SEUS POSTOS DE TRABALHO.
Trabalhadores da Unicer anunciam greve de 24 horas
FOTO DE ARQUIVO / ILUSTRATIVA
A
Comissão de Trabalhadores (CT) da Unicer e vários sindicatos ligados ao
sector da alimentação e bebidas marcaram uma greve de 24 horas para o
próximo dia 16 de Dezembro.
Em
comunicado, a CT, a USS/CGTP-IN, o SINTAB e o SINTICABA anunciam ainda
que vão promover uma concentração junto à porta da Unicer, em Leça do
Balio, "para que todo o País possa assistir à indignação dos
trabalhadores da Unicer e à sua determinação em manter os seus postos de
trabalho".
As
estruturas representativas dos trabalhadores apelam ainda aos
funcionários da Unicer para que "depois de um mês de Novembro quente,
prossigam com a luta e que com a unidade demonstrada até agora façam do
mês de Dezembro um mês de Natal mas também de luta".
"Não
é com prendas envenenadas, como almoços para simular falsos consensos
ou até com a incandescência das luzes de Natal que vão silenciar a voz e
a razão daqueles que durante anos deram milhões de lucro à Unicer e aos
seus acionistas", referem os sindicatos.
Recorde-se
a Unicer anunciou em outubro o fecho, em maio de 2016, do Centro de
Produção de Refrigerantes de Santarém, também conhecido por fábrica da
Rical, e o despedimento de várias dezenas de trabalhadores, justificando
a decisão com a "volatilidade da economia" e a "retração de mercados",
aliados aos "baixos níveis de utilização da capacidade instalada em
Santarém.Fonte: www.rederegional
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
CONGREGAR FORÇAS! RECUPERAR O RIO MAIOR.
O Projecto de cidadania considera que a defesa do rio Tejo só é possível com a participação das organizações de cidadania e dos cidadãos de toda a sua Região Hidrográfica, incluindo todos os seus afluentes, entre os quais se encontra o rio Maior.
Como o proTejo tem este princípio como objectivo, e tem pautado a sua acção nessa perspectiva, manifestamos o nosso apoio, partilhando a informação da sua actividade, em defesa dos rios, património natural, desta Região.
CONVITE
ASSEMBLEIA GERAL DO proTEJO
12 DE DEZEMBRO DE 2015
O
proTEJO – Movimento Pelo Tejo vem convidá-los a estarem presentes na sua ASSEMBLEIA
GERAL que se realizará no dia 12 de Dezembro de 2015 (sábado) pelas 14 horas e
30 minutos, na sede da Junta de Freguesia de Vila Nova da Barquinha (ex-Junta
de Freguesia da Moita do Norte), com a seguinte ordem de trabalhos:
1º
Eleição dos orgãos sociais do proTEJO
2º
Diversos
Esta
iniciativa encontra-se aberta às organizações e aos cidadãos que referenciem
como partilhando este objectivo, pelo que agradecemos que as convidem a estarem
presentes.
PARTICIPEM!
SÓ
COM A VOSSA PRESENÇA PODEMOS SEGUIR EM FRENTE NA DEFESA DO TEJO!
A
PARTICIPAÇÃO DOS ADERENTES E O ENVOLVIMENTO DOS CONVIDADOS É UM IMPORTANTE
INCENTIVO MORAL!
CONTAMOS
CONVOSCO!
Como
chegar?
Juntade Freguesia de Vila Nova da Barquinha (ex-Junta de Freguesia de Moita doNorte) - Ver mapa
terça-feira, 17 de novembro de 2015
VILA DA MARMELEIRA, CORTES DE ÁGUA DIAS 17 E 19 DE NOVEMBRO
O Projecto de Cidadania «dar a vez e a voz aos cidadãos», desde a sua constituição, em 2009, que definiu, as falhas no abastecimento de água aos nossos concidadãos da Vila da Marmeleira, como uma prioridade imperativa e se bateu, junto ao executivo da Câmara e Assembleia Municipal, no sentido de o definirem como a prioridade das prioridades, até devido às implicações inerentes, bem conhecidos de toda a população afectada, ao adiamento da sua resolução, isto é, degradação da qualidade de vida, desperdício de água, com roturas recorrentes,etc.
Levando este gravíssimo problema às instâncias nacionais e internacionais (Assembleia da República e Parlamento Europeu), e assim contribuir para criar as condições necessárias à sua resolução (através de fundos estatais ou europeus), já que o executivo camarário invocava não ter verba suficiente para executar as obras necessárias.
Estas decorrem desde algum tempo, com as implicações conhecidas e vividas por todas as famílias, se forem as necessárias para garantir a eficiência e a qualidade do serviço, apesar de imensamente tardias, após seis anos valeu a pena.
Partilhamos a notícia divulgada pela Rede Regional, em: www.rederegional.com
Constrangimentos no abastecimento de água na Marmeleira

A
vila da Marmeleira, no concelho de Rio Maior, vai sofrer cortes de água
nos próximo dias 17 e 19 de novembro, devido aos trabalhos de
substituição das condutas e ligação aos ramais domiciliários.
Segundo
uma nota de imprensa da Câmara de Rio Maior, os obras vão decorrer na
rua 25 de Abril, no dia 17, ao passo que, a 19, o corte terá lugar nas
ruas Dr. Neuparth Vieira, João de Menezes e Bernardino Machado.
"Serão
desenvolvidos todos os esforços para que as suspensões de abastecimento
ocorram apenas durante os dias previstos, sendo que esta intervenção
poderá provocar dificuldades no abastecimento de água na restante
localidade durante esses dias", informa o mesmo comunicado.
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