quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Movimento Projecto de Cidadania retirou lixo da Gruta da Senhora da Luz

E enviou à Câmara Municipal e à Junta de Freguesia de Rio Maior um apelo para que passem a cuidar daquele que é o único monumento nacional de Rio Maior:

«Consciente de que todos têm o dever de defender e conservar o património cultural, uma delegação do Movimento Projecto de Cidadania procedeu ontem a uma limpeza da Gruta da Senhora Luz, o único sítio da freguesia e do concelho de Rio Maior que está classificado como Monumento Nacional, categoria que recebeu em 1934 em reconhecimento do seu inestimável valor cultural.

Esta acção de limpeza foi efectuada na sequência de uma primeira visita ao local promovida pelo Movimento Projecto de Cidadania, no passado dia 1 de Dezembro, durante a qual se constatou estar a Gruta da Senhora da Luz completamente desprotegida, num estado de abandono e deterioração, conspurcada com lixo e vandalizada, com destruição de estalactites e uma inscrição numa parede.

II

Já em 1986, o deputado Armando Fernandes, do PRD, apresentou na Assembleia da República um requerimento ao Governo em que alertava para o que considerava ser o “deplorável estado de abandono” da Gruta da Senhora da Luz. Nessa altura, depois de uma visita ao local o Departamento de Arqueologia do Instituto Português de Património Cultural terá solicitado à Câmara Municipal de Rio Maior que procedesse à vedação da entrada principal da gruta, “através da colocação de portões gradeados, e à sinalização do monumento”.

Lamentavelmente, passados 27 anos, nada disso está feito.

III

O único sítio da freguesia e do concelho de Rio Maior classificado como monumento nacional é uma gruta rasgada em calcários da época Jurássico médio (há mais de 161 milhões de anos), com várias dezenas de metros de desenvolvimento, compreendendo, na parte inicial, duas salas grandes ligadas por um estreito corredor, na segunda das quais existe uma abertura no tecto que permite a entrada de luz solar, gerando um cenário de grande beleza.

Nesta gruta foi descoberto um importante espólio arqueológico indicando que terá tido utilização humana na idade da pedra e na idade do cobre, entre há cerca de 8 mil a 4,5 mil anos atrás.

IV

Na limpeza ontem efectuada, o Movimento Projecto de Cidadania retirou da Gruta da Senhora da Luz lixo diverso, desde garrafas de plástico e de vidro (inteiras e em pedaços), restos de sapatos e de uma mala, sacos e sacas de plástico.

Apelamos agora às autarquias locais de Rio Maior que, cumprindo o disposto nos artigos 3º, 11º e 33º da Lei n.º 107/2001, que estabelece as bases da política e do regime de proteção e valorização do património cultural, passem a agir no sentido de proteger, valorizar e divulgar o único sítio da freguesia e do concelho de Rio Maior que está classificado com a categoria de Monumento Nacional.

Apelamos nomeadamente a que sejam concretizadas as medidas solicitadas em 1986 pelo então Departamento de Arqueologia do Instituto Português de Património Cultural. E que se cuide também do acesso ao monumento nacional e seja limpo o espaço diante da sua entrada, o qual encontrámos repleto de mato.

Apelamos a que a sinalização do monumento inclua pelo menos um paniel interpretativo que proporcione aos visitantes informação sobre as suas características e do espólio arqueológico ali encontrado.

Não será necessário um investimento muito avultado para concretizar estas medidas.

V

A actual Direcção Geral do Património Cultural assinala também, a existência de uma segunda gruta, mais pequena mas onde onde também foi encontrado algum espólio arqueológico, que se situa mais próxima do local onde se costuma realizar a festa da Senhora da Luz. Ainda não nos foi possível visitá-la, mas segundo informação de que dispomos encontra-se nas mesmas condições, pelo que apelamos também à sua proteção, valorização e divulgação, como complemento à gruta principal.»

Mirante:
"Único monumento nacional de Rio Maior está ao abandono"

Maior TV:
"Gruta da Senhora da Luz (Rio Maior) ao abandono"

Rádio Cister:
"Movimento Projecto de Cidadania retirou lixo da Gruta da Senhora da Luz"

Notícias do Ribatejo:
"Rio Maior: Gruta da Senhora da Luz está ao abandono e vandalizada"

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Movimento Projecto de Cidadania quer «Garantia para a Juventude» em Rio Maior

O Movimento Projecto de Cidadania endereçou à Câmara Municipal de Rio Maior a seguinte proposta:

O Conselho da União Europeia aprovou, no passado mês de Abril, uma recomedação onde reconhece que “os jovens têm sido atingidos com particular dureza pela crise”. Nomeadamente por serem “um grupo vulnerável em virtude do caráter transitório dos períodos de vida que atravessam”. E “porque lhes falta experiência profissional”. Ou porque “os estudos ou formações de que dispõem são desadequados”, ou porque“a cobertura social de que beneficiam é insuficiente”, ou porque “o acesso aos recursos financeiros é limitado e as condições de trabalho precárias”.

O Conselho sublinha que as jovens mulheres “estão mais expostas ao emprego precário e mal remunerado e faltam medidas que ajudem jovens com filhos, sobretudo as mães, a conciliar o trabalho e a vida privada”.

E afirma estar “demonstrado que o desemprego juvenil pode deixar marcas permanentes, como o risco acrescido de vir a cair no desemprego, perspetivas de baixa remuneração, a perda de capital humano, a transmissão intergeracional da pobreza ou a menor motivação para constituir família, o que contribui para as tendências demográficas negativas”.

II

Segundo os dados mais recentes do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), que por regra apresenta números aquém da realidade, Rio Maior soma mais de 900 desempregados e é o segundo concelho do distrito de Santarém onde o desemprego regista um maior aumento, em termos percentuais, nos últimos 4 anos (+ 77%). Em particular no desemprego de jovens com menos de 25 anos de idade, e ainda segundo o IEFP, Rio Maior regista, no mesmo período, o terceiro pior aumento no distrito (+ 40%).

III

Perante este drama social, que está a causar mal estar e sofrimento em muitas famílias riomaiorenses, o Movimento Projecto de Cidadania considera pertinente o novo programa «Garantia para a Juventude», com financiamento da União Europeia. Apresenta como meta proporcionar a jovens com menos de 25 anos uma oportunidade de emprego, de formação, de prosseguimento de estudos ou de estágio profissional, num prazo de quatro meses após terem saído da escola ou terem ficado desempregados.

Para Portugal, o ministro do Emprego e da Segurança Social já anunciou que estará disponível um montante de 300 milhões de euros para os próximos dois anos, 2014 e 2015, no âmbito deste programa.

IV

O Movimento Projecto de Cidadania propõe que a Câmara Municipal de Rio Maior actue no sentido de apoiar o máximo acesso possível de jovens riomaiorenses em situação de desemprego ao programa «Garantia para a Juventude».

Maior TV:
"Projecto de Cidadania quer «Garantia para a Juventude» em Rio Maior"

Rádio Cister
"Movimento Projecto de Cidadania quer «Garantia para a Juventude» em Rio Maior"



Notícias do Ribatejo:
"Movimento Projecto de Cidadania quer «Garantia para a Juventude» em Rio Maior"

Portal Rio Maior:
"Movimento Projecto de Cidadania quer «Garantia para a Juventude» dos jovens do concelho"

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Bloco questiona situação do Castro de S. Martinho

Catarina Martins
A deputada Catarina Martins, coordenadora nacional do Bloco de Esquerda, apresentou na Assembleia da República uma pergunta, ao Secretário de Estado da Cultura sobre a situação do Castro de S. Martinho:

«O Castro de S. Martinho é um povoado fortificado, da Idade do Bronze/Idade do Ferro, com três linhas de muralhas, que se localiza a uma cota máxima de altitude de 300m, no cume do Monte de S. Martinho, entre os lugares de Casal da Velha e Teira, Freguesia de Alcobertas, Concelho de Rio Maior.

Em 1958, no I Congresso Nacional de Arqueologia, o Castro de S. Martinho é assinalado como local onde foram encontradas peças de elevado interesse (Paço, et al. 1959, 287). Em 1962, os mesmos investigadores, no XXVI Congresso Luso-Espanhol para o Progresso das Ciências, dedicam a comunicação apenas a uma peça encontrada no Castro de S. Martinho e na publicação avisam: “bem merecia que se cuidasse dele a sério, estudando-o conscienciosamente, não o transformando em «mina» para recolha de objectos”(Paço, et al. 1962). Na Revista de Guimarães em 1978 é publicado um artigo sobre o espólio arqueológico de Rio Maior, onde novamente é registada a importância de uma escavação arqueológica do sítio (Almeida, 1978, 398). 

Recriação imaginária de como seria o Castro de S. Martinho
Em 2008, o arqueólogo Carlos Pereira, funcionário da Câmara Municipal de Rio Maior, ressalva que o Castro de S. Martinho “nunca mereceu uma atenção prolongada por parte dos diversos investigadores que visitaram ou se propuseram a efectuar o seu estudo sistemático, não passando de recolhas de superfície e alguns trabalhos pontuais”. Mas relata que, mesmo assim, “no decurso dos trabalhos arqueológicos, até ao momento realizados, foi recolhida uma grande quantidade de espólio, quase exclusivamente cerâmico, integrável em diversos períodos que vão da Idade do Bronze, Idade do Ferro, Romano, Medieval Islâmico e/ou Medieval Cristão e de eras mais recentes”. Em 2008 foram também assinaladas, “as primeiras estruturas castrejas (parte de uma parede e muralha da Idade do Bronze / Idade do Ferro), mas os trabalhos estão apenas no início” (Pereira, 2008).

Para além da sua relevância científica ainda tão inexplorada, o Castro de S. Martinho, que possui uma extensa vista panorâmica, com um raio de alcance visual para Santarém, Serra de Montejunto e Serra de Aire, apresenta também um grande potencial para se tornar um polo de atracão turística, associado ao conjunto de património edificado da freguesia de Alcobertas, nomeadamente o Dólmen, a Gruta, o forno e os Silos Medievais. E em ligação também ao património natural do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros.

É assim particularmente lamentável que, como alerta o Portal do Arqueólogo, da Direção Geral do Património Cultural, a estação arqueológica do Castro de S. Martinho se encontre em “perigo”, porque “ameaçada”por uma pedreira “que labora no lado Oeste do sítio”.

O supracitado arqueólogo Carlos Pereira relata que “ao longo dos anos, este local tem vindo a ser alvo das mais diversas delapidações, desde a abertura de uma estrada florestal, cortando parte do sítio, cultivo de produtos agrícolas, plantação de eucaliptos e ainda a abertura de uma pedreira, a qual já consumiu uma parte significativa do Castro. Para além dos “ataques” de curiosos e “caçadores de tesouros” (ibidem).

Segundo este técnico do Município de Rio Maior, no início dos anos 1980, o executivo camarário, “tendo noção da importância deste sítio para a identidade desta região, encerra uma extracção de inertes, situada a meio da encosta E, estabelece uma cota altimétrica (curva de nível 275) como linha de limite de protecção ao castro e inicia, ainda, o cadastro dos proprietários deste cabeço para levar a efeito um processo de expropriação das parcelas situadas acima desta linha. Em 26 de Junho de 1981 estava concluído o levantamento dos proprietários e das respectivas áreas a serem expropriadas”. Porém, “este processo não foi continuado pelos executivos seguintes”. E “com a abertura da pedreira “Teira” na encosta W, inicia-se uma nova fase de perturbação deste sítio”. Em 1998, “os limites de segurança aos trabalhos de extracção de inertes tinham sido largamente ultrapassados” e perante “a existência de graves problemas de estabilidade, com a ocorrência de escorregamentos, o proprietário (…) tomou a iniciativa de terminar o avanço da actividade extractiva nesta frente”. Mas terá sido tarde demais: “os trabalhos de lavra já tinham provocado estragos irreversíveis em áreas com espólio arqueológico, situação agravada por diversos escorregamentos do terreno em toda a frente, causados por factores diversos (vibrações, águas pluviais, pendente da encosta, etc.)”. (ibidem)

Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Secretário de Estado da Cultura, a seguinte pergunta:

Que medidas estão previstas ou em vias de aplicação, e qual o seu prazo de execução, para permitir e assegurar que o Castro de S. Martinho, localizado em Alcobertas, concelho de Rio Maior, possa ser devidamente preservado, estudado e aproveitado para o desenvolvimento cultural, turístico e económico da região onde se insere?»

Notícias do Ribatejo:
"Rio Maior: Bloco de Esquerda questiona situação do Castro de S. Martinho"

Maior TV:
"Bloco questiona situação do Castro de S. Martinho"


Oeste Global:
"Rio Maior. BE questiona situação do Castro de S. Martinho"

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Câmara Municipal de Rio Maior tem de respeitar os cidadãos e a liberdade de expressão!

O Movimento Projecto de Cidadania endereçou à presidente da Câmara Municipal de Rio Maior a seguinte carta de protesto:

No passado dia 20 de Novembro, perante uma cidadã riomaiorense que simplesmente fez um comentário a criticar a ausência da presidente da Câmara nas I Jornadas da Associação de Judo do Distrito de Santarém, que se realizaram recentemente em Rio Maior, um assessor da presidência da Câmara Municipal de Rio Maior, e dirigente local do PSD, de seu nome Vasco Tavares, permitiu-se, na página de facebook da Câmara Municipal, dirigir-se a essa cidadã nos seguintes termos:

«A D. Alda é uma modernaça! Faz comentários no facebook do telemóvel, corre os posts todos atrás de fotografias da sra. Presidente, etc... D. Alda, e se em vez de perder o seu tempo e o dos outros não vai fazer crochet, se quiser eu indico-lhe um bom workshop».

O Movimento Projecto de Cidadania considera lamentável e inadmissível que um representante da presidência da Câmara Municipal de Rio Maior se dirija a uma cidadã com uma tamanha falta de dignidade e de respeito. Ainda por cima num meio de comunicação da autarquia e em horário de expediente.

O Gabinete de Apoio à Presidência da Câmara é sustentado com dinheiro dos impostos pagos pelos cidadãos. E existe para servir os cidadãos.

Perante isto, o Movimento Projecto de Cidadania exige à Sra. Presidente da Câmara Municipal de Rio Maior que:

1) o seu assessor em causa seja responsabilizado por esta atitude lamentável e inadmissível;

2) seja apresentado um pedido de desculpas à cidadã riomaiorense atingida.

Rio Maior, 22 de Novembro de 2013

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Bloco de Esquerda questiona redução de 28% nos serviços contratados para utentes sem médico de família em Rio Maior

Helena Pinto
A deputada Helena Pinto, do Bloco de Esquerda, apresentou na Assembleia da República a seguinte pergunta:

«Em novembro de 2011, em resposta a uma pergunta do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, o Ministério da Saúde afirmou estarem contratadas a uma empresa privada 108 horas/semana de serviços médicos para a cobertura dos 7 mil utentes sem médico de família na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Rio Maior, incluindo aqui também 3 deslocações semanais à Extensão de Saúde de Alcobertas (com 1570 utentes).


Dois anos depois, quer em resposta a uma nova pergunta do Bloco de Esquerda, quer em resposta a um pedido de informação da Comissão Parlamentar de Saúde, despoletada por uma petição do Movimento Projeto de Cidadania, o Ministério da Saúde afirma apenas estarem contratadas 78 horas/semana de serviços, para a cobertura do mesmo número de utentes sem médico de família da UCSP de Rio Maior, o que significa uma redução de 28%.


Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministério da Saúde, as seguintes perguntas:


1. Qual o motivo da redução de 28%, entre 2011 e 2013, nas horas/semana contratadas a uma empresa privada para a cobertura aos 7 mil utentes sem médico de família na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados de Rio Maior?






segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Sobre os resultados das eleições autárquicas 2013 em Rio Maior*

«Parabéns aos vencedores, honra aos vencidos.
 
O Povo é soberano e fez as suas escolhas.
 
Consideramos negativa tanta concentração de poder nas mãos da mesma coligação partidária, com maiorias absolutas na Câmara, Assembleia Municipal e na maioria das freguesias. Pensamos que seria melhor para o concelho haver mais pluralismo.
 
Pela nossa parte, sofremos uma derrota eleitoral. Perdemos o único lugar que tínhamos na Assembleia Municipal, o qual, ao longo de 4 anos, procurámos exercer de forma empenhada.
 
Mas se participámos nestas eleições não foi à cata de lugares, tachos e poleiros. Foi para defender convicções. Por isso, continuaremos naturalmente a defender a cidadania e a democracia participativa, a ecologia, a justiça social, a valorização da cultura, do património e dos produtores e empresas locais.
 
Um muito obrigado à equipa fantástica que deu corpo a esta candidatura e às pessoas que acreditaram em nós.
 
Foi uma aprendizagem. A luta continua!»

* Comentário ao jornal Região de Rio Maior por Rosa Pina, cabeça de lista à Câmara Municipal de Rio Maior do Movimento Projecto de Cidadania, que participou nestas eleições com o apoio do Bloco de Esquerda

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Dê uma oportunidade ao Projeto de Cidadania!

Por João Ferreira*

CAROS CIDADÃOS RIOMAIORENSES

Como sabem, realizam-se no próximo dia 29 de Setembro as eleições para as Autarquias Locais. Muitos de Vós se interrogarão: “PARA QUÊ VOTAR?” O Movimento Projecto de Cidadania responde: para que as cidades, vilas e freguesias onde vivem tenham melhor qualidade de vida, melhor Ambiente, para que os órgãos das autarquias nos ajudem e nos facilitem a vida, em vez de nos atrapalharem. Para termos confiança em quem nos “governa” a nível local, para termos a certeza de que quem vai para as Juntas e as Câmaras não vai apenas à procura de se “governar”, com negociatas e tráfico de influências. Quem não votar, não pode exigir responsabilidades…

Aqui chegados, vem a segunda pergunta: “EM QUEM VOTAR?”. O Movimento Projecto de Cidadania, com apenas um representante na Assembleia Municipal de Rio Maior, já conseguiu mais do que outros com grandes “grupos parlamentares”, e que pouco ou nada se têm preocupado com os problemas dos riomaiorenses, dos quais só se lembram de 4 em 4 anos. Com o apoio do Bloco de Esquerda, levámos à Assembleia da República o problema da falta de médicos no Centro de Saúde de Rio Maior. Outros, com maior votação e maiores responsabilidades, não o fizeram, certamente para não incomodar os “colegas” de partido… Denunciámos a infeliz ideia da actual Câmara de cobrar o estacionamento em Rio Maior, numa cidade onde o estacionamento gratuito ainda é um dos poucos “luxos” que temos. Simpatizantes da nossa lista foram ao Parlamento dos Jovens, onde fizeram ouvir a voz e as ideias dos jovens riomaiorenses, principal “riqueza” da nossa terra, que outros têm esquecido ou desprezado. E finalmente, fomos “voz incómoda” na Assembleia Municipal, para denunciar negociatas com escritórios de advogados e com especulação imobiliária na Zona Industrial de Rio Maior. Quem quiser trabalhar com afinco e honestidade, conte connosco. Não servimos apenas para “deitar abaixo”…

Finalmente, perguntam-se: “QUEM SOMOS?”. Uma lista de cidadãos independentes, com grande variedade de profissões (advogado, economista, médico, um mineiro reformado, funcionários públicos, jovens estudantes e artistas) que tem como “companheiro de viagem” o Bloco de Esquerda, uma voz inconformista e criativa que nos tem permitido o acesso à Assembleia da República, o centro do debate democrático e de decisões que podem mudar Rio Maior. Não perguntámos a ninguém de que partido vinha, mas apenas o que querem para Rio Maior. Uma cidade moderna, com respeito pelo Ambiente, pelo património histórico e cultural, mas também com preocupações sociais, que dê às empresas condições para que possam prosperar e criar postos de trabalho. Uma cidade que não se esqueça das aldeias em redor, que também têm direito a bons transportes, qualidade de ambiente e acesso ao emprego. Não inventamos nada, nem prometemos o que não podemos cumprir. Tão pouco somos mais espertos do que os outros, apenas mais empenhados. Durante mais de trinta anos, o Governo e a maioria das autarquias de Portugal pertenceram sempre aos dois maiores partidos. O resultado está á vista! Desemprego, desigualdade, injustiça, negociatas escuras. Queremos e podemos mudar! Dê uma oportunidade ao Movimento Projecto de Cidadania!

* João Ferreira, advogado, 56 anos de idade, é o candidato à presidência da Junta de Freguesia de Rio Maior do Movimento Projeto de Cidadania apoiado pelo Bloco de Esquerda

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Algumas palavras sobre a cultura em Rio Maior


Por Paulo Louro*
 
Recordo-me de, desde novo, ser bastante influenciado por os aspetos menos imediatos das coisas, lembro-me das tardes de verão em casa dos meus avós a escutar discos porque estava muito calor para ir brincar na rua e lembro-me da minha avó paterna nos cantar (a mim e ao meu irmão) músicas tradicionais, das que se cantavam nas lavouras dos campos.

Lembro-me de, ao fim de semana, me interessar pelos suplementos de cultura dos jornais que o meu pai comprava e que eu passei a comprar desde então (ainda tendo um montão de revistas e jornais guardados no sótão da minha casa, provavelmente em muito mau estado de conservação). Mas desde essa altura lembro-me de ficar fascinado com as grandes personagens da cultura nacional e internacional, devorando tudo o que era críticas de discos, livros e filmes e entrevistas dos mais diversos intervenientes na esfera cultural/social da nossa realidade.

A minha juventude foi, como ainda é em alguns casos, grandemente influenciada pela música. No meu grupo de amigos existiam bandas, a malta mais velha tinha bandas, existiam algumas associações em Rio Maior (a Atrium e a ACJ, se bem me lembro) que promoviam realizações culturais e os bares, nomeadamente a Fonte Velha (em conjunto ou não com as associações existentes), tinham uma programação interessante e, acima de tudo, desafiadora. A minha curiosidade levava-me a tentar ver tudo o que se realizasse, conhecendo ou não, sempre com um grande respeito e reverência por aquela malta e pelas coisas que faziam, porque, na realidade, sem eles o mundo era um pouco mais quadrado. Numa terra como Rio Maior, sem as comunicações de hoje, assistir aos concertos a que se assistiam era uma mostra de que, por cá, havia mentes mais progressistas do que o que seria de esperar. Bandas como os Great Lesbian Show e os Tédio Boys não deixavam ninguém indiferente.

Ao contrário do que se passa atualmente, nesta altura, um evento nos moldes do Hard Rock Café (que envolvia três noites de concertos em três bares da cidade) mexia com toda a gente e os sítios ficavam à pinha para ver os concertos. Já chegaremos aos nossos dias, mas avançando a coisa a um ritmo mais rápido, com o aparecimento da Antena 3 e a divulgação cada vez maior do que se fazia de bom nas franjas musicais nacionais e internacionais, o meu gosto musical e necessidade da descoberta de novas coisas foi-se aguçando e a descoberta de novas coisas foi pondo tudo em perspetiva, ajudando a separar o trigo do joio e a aproveitar o que realmente interessa.

Após um exasperante início dos anos 00’s, em que a música ao vivo em Rio Maior teve um decréscimo significativo na aposta de novos valores, um grupo de tipos que estavam a beber uns copos num bar da nossa cidade, fartos do mesmo “não se passa aqui” e fartos de vir à sexta de Lisboa para voltar ao sábado para ir ver um concerto ou de ir até Leiria ou Coimbra, decidiram começar a organizar concertos, mesmo sem terem ligações nenhumas ao meio, nem serem “artistas” nem saberem tocar um instrumento, só porque sentiam que havia essa necessidade em Rio Maior e que era uma coisa importante de se fazer e que, estando em Rio Maior, não havia motivos nenhuns para não o fazermos. Existiam excelentes bandas em Portugal que precisavam de rodar e existia malta nova em Rio Maior, o resto haveria de se arranjar. E arranjou-se e, em quase sete anos, tentámos realizar dez concertos por ano, um em cada mês. Fizemo-lo com a periocidade que conseguimos, uns anos melhor outros pior, trouxemos muita música de qualidade, nacional e internacional, colaborámos com a Câmara Municipal na realização das jornadas da juventude e noutros eventos sempre que solicitado e colaborámos e tivemos o apoio de muita entidade privada, demasiados para referir, mas todos devidamente agradecidos. Tentámos ainda valorizar de uma forma construtiva as bandas de Rio Maior, tentando mostrar a necessidade que tinham de evoluir antes de se exporem ao “grande público” e, passados estes anos, acho que estão todos a ir no bom caminho.

Neste fim-de-semana vamos inaugurar um novo espaço, vamos ter uma exposição, um concerto e uma pessoa estabelecida em Rio Maior a vender discos. Vamos fazer a nossa atividade no antigo pavilhão dos bombeiros, um local que estava sem utilização e no qual investimos para colocar o mais agradável possível para todos. Por mim esta atividade já valeu a pena só pelo empenho que os meus restantes colegas e amigos andam a colocar nesta realização, estando já a trabalhar para o mesmo há coisa de três semanas. Os mesmos “cromos” de há sete anos, os mesmo que não têm ligação nenhuma com as artes sem ser o facto de que continuam a achar que é importante mostrar mais coisas do que as que vão acontecendo por Rio Maior e os mesmo que acham que a diversidade e o respeito pela diferença é uma coisa linda e que acham que mais vale andar a perder o seu tempo a colar cartazes, carregar com material, arcas frigoríficas e bebidas e que no final têm de limpar tudo e recolher cartazes, para muitas vezes perderem dinheiro dos seus bolsos, para trazer artistas de fora da nossa terra para mostrarem o seu valor, para ver se todos nós, como pessoas e em sociedade, evoluímos um pouco.

Ora, isto já vai longo, e bem sei que me dediquei apenas a um nicho, arte e cultura são muito mais do que isso, e há muita malta de valor em Rio Maior, assim de repente lembro-me do Vasco Duarte e do excelente trabalho que faz, entre outros, mas não poderia falar muito mais do que a minha experiência, porque não sou grande entendido no resto.

No fundo, isto tudo resume-se facilmente a: há tanto por ver e conhecer que é inútil passarmos a vida a dar palmadinhas nas costas uns dos outros a pensar que somos os maiores do nosso pequeno pedestal; para nós, cada temporada parece sempre a primeira, cada novo artista que surge é uma possibilidade de nos mostrar algo de maravilhoso, cada atividade é algo irrepetível; o entendimento do mundo obriga-nos a estar atentos e a estar abertos a diferentes realidades, não podemos estar reféns de um entendimento da realidade, a vida e o mundo são muito mais e melhor do que isso; técnicas e estéticas são subjetivas, o importante é a comunicação, a vontade e o que se põe no que se faz; e, no final, a possibilidade de nos maravilharmos é uma coisa linda.

Tudo isto resulta em movimentações culturais, as pessoas juntam-se para assistir às atividades, falam sobre esses assuntos, assimilam essas realidades e diferenças e no final esperamos que saiam delas valorizadas e mais conscientes da necessidade que é o usufruto do resultado do trabalho dos criadores e da mais-valia que traz na construção de uma sociedade mais plena.

Termino com um excerto do livro Black Music do escritor, poeta, ensaísta e jornalista Leroi Jones ou Amiri Baraka, como é agora conhecido, retirada de uma crítica sua escrita em 1964 relativa ao álbum ao vivo do John Coltrane Coltrane Live at Birdland. Embora eu não seja um conhecedor de Jazz, para além do que li no seu livro Black Music, a crónica é explícita ao ponto de parecer que estamos lá no Birdland a assistir ao Coltrane e companhia a fazer história. Num momento da crítica, Amiri Baraka escreve sobre a excepcionalidade do Coltrane nos concertos no Birdland: “[…] se vamos ali e nos conseguimos sentar, como eu consegui durante esta temporada, e ficar, se é um mestre que estamos a ouvir, certamente nos iremos sentir muito além da pequenez e estupidez dos nossos belos inimigos. John Coltrane consegue fazer isto por nós. Fê-lo a mim muitas vezes, e a sua música é uma das razões pelas quais o suicídio parece tão aborrecido".

Pronto, é isto, na música, no teatro, no cinema, na escrita, nas performances, na dança, nas artes plásticas e em tudo. Elevação.

* Economista, dirigente associativo e activista cultural. É um dos primeiros candidatos à Assembleia Municipal de Rio Maior, na lista do Movimento Projecto de Cidadania, com o apoio do Bloco de Esquerda

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