Da intervenção do coordenador do movimento Projecto de Cidadania, António Costa, na sessão da Assembleia Municipal de Rio Maior ontem realizada:
"A situação é muito preocupante.
Segundo o Instituto do Emprego, desde o início do corrente mandato autárquico, o desemprego no concelho de Rio Maior aumentou 74%, atingido já cerca de mil riomaiorenses.
Verifica-se a existência de situações de pobreza mesmo entre pessoas que têm emprego a tempo inteiro, devido a baixos salários, na ordem dos 500 euros, e ao agravamento do custo de vida.
Ouvimos relatos de um clima de medo, em que muitas pessoas evitam abrir a boca para defender os seus direitos laborais, com receio de perder o emprego e outras represálias.
Consideramos imperioso fazer frente às políticas construtoras desta realidade, através da organização e acção colectiva por parte dos trabalhadores, inclusive na greve geral, convocada pela CGTP para o próximo dia 22 de Março.
Mas, e a Câmara Municipal de Rio Maior, o que está a fazer para contrariar esta situação e as suas consequências sociais?
Qual é a estratégia do executivo camarário em relação ao aumento exponencial do desemprego?
O que está a fazer, por exemplo, para concretizar a recomendação aprovada há um ano por esta Assembleia no sentido de estabelecer um protocolo com a Associação Nacional de Direito ao Crédito, para divulgar e apoiar no nosso concelho o recurso ao microcrédito?"
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Assembleia Municipal de Rio Maior aprovou proposta do Projecto de Cidadania para melhorar informação aos cidadãos
Eis o teor da recomendação aprovada:
"A Assembleia Municipal de Rio Maior, enquanto órgão que existe para a prossecução dos interesses dos cidadãos do concelho, não se pode conformar com a falta de participação cidadã que se verifica no período de discussão pública ao qual têm que ser previamente submetidos muitos documentos que esta Assembleia é chamada a discutir e votar.
Tais documentos, nomeadamente regulamentos municipais, dizem respeito aos cidadãos e afectam as suas vidas, pelo que a participação cidadã na sua discussão será uma garantia fundamental para que possam servir da melhor forma possível os interesses dos cidadãos.
Os períodos de discussão pública não podem ser uma mera rotina burocrática e ilusória. Têm que ser incentivados com uma atitute pró-activa por parte do município. Nomeadamente ao nível da sua divulgação, que, consideramos, pode e deve ser melhorada. O município tem de compreender que existe para servir os cidadãos e que estes têm a sua vida, não podem estar sempre a ir ver os quadros onde são afixados os editais.
Nesse sentido, recomendamos à Câmara Municipal de Rio Maior que passe a divulgar os períodos de discussão pública, indicado onde consultar os documentos em causa:
1 - por mail, a todos os membros da Assembleia Municipal;
2 - na página inicial do site de internet da Câmara Municipal;
3 - em redes sociais na internet, nomeadamente facebook;"
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Movimento Projecto de Cidadania debateu situação laboral no concelho de Rio Maior
Clique aqui para ver a notícia publicada pelo jornal Região de Rio Maior
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Poluição suinícola em Rio Maior origina projecto de lei do Bloco de Esquerda
Em resposta a uma petição apresentada pelo movimento cívico Ar Puro, de Rio Maior, o Bloco de Esquerda apresentou na Assembleia da República um projecto de lei para alterar «o regime de exercício da atividade pecuária, punindo os produtores incumpridores e protegendo o ambiente»:
«De acordo com diversos estudos da Food and Agriculture Organization (ex.: Livestocks’s Long Shadow, FAO - ONU, 2006), a produção pecuária pode ser sinalizada como uma das principais causas dos problemas ambientais que o planeta enfrenta, como o aquecimento global, a degradação dos solos, a poluição do ar e da água e a perda da biodiversidade. A FAO considera que, tendo em conta a contaminação da água com dejetos animais, antibióticos, hormonas, fertilizantes e pesticidas usados no cultivo de rações, para além de assoreamento causado por pastagens degradadas, a pecuária é a atividade humana que mais polui.
Em Portugal, com a aprovação da Lei-quadro das Contraordenações Ambientais em 2006, e com a implementação do Regime de Exercício da Atividade Pecuária (REAP) em 2008, as explorações pecuárias passaram a cumprir diversos condicionalismos legais que melhoraram as práticas do setor em matéria de segurança, higiene, bem-estar animal, ambiente e proteção dos recursos hídricos.
Não obstante estas melhorias no setor, persistem ainda vários produtores que continuadamente não respeitam as normas exigidas à atividade pecuária e, deste modo, põem em causa a proteção do ambiente, os recursos hídricos e a saúde e bem-estar das populações.
Recentemente, cidadãos do movimento cívico AR PURO apresentaram na Assembleia da República uma petição (petição n.º 131/XI/2ª) onde denunciavam a prática de três suiniculturas de Rio Maior e exigiam a defesa do ambiente e das populações. De fato, uma das suiniculturas foi mesmo alvo de uma deliberação de encerramento por parte da Câmara Municipal em 1998 e, até hoje, ainda não foi encerrada.
Situações como a descrita por estes cidadãos são recorrentes e são graves, pelo que importa agravar as sanções aplicáveis aos produtores incumpridores para diminuir a prevalência de ações e comportamentos que ponham em causa o ambiente e o bem-estar das populações.»
Clique aqui para ler o projecto de lei completo
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
O preço das hortas urbanas de Rio Maior
Por Carlos Carujo
A ideia das hortas urbanas, que tem sido posta em prática um pouco por todo o país, é boa.
A ideia das hortas urbanas, que tem sido posta em prática um pouco por todo o país, é boa.
Permite a quem tem menos recursos obter produtos de qualidade indispensáveis à sua subsistência. Permite a quem vive numa cidade ter um contacto directo com a terra, com os seus ritmos e os seus produtos. Permite aprofundar o diálogo e as trocas de saberes entre pessoas de formações e gerações diferentes.
Saúda-se portanto que se tenha desenvolvido um tal projecto em Rio Maior. O que se questiona é que se tenha escolhido uma via cara para o implementar. A Câmara Municipal de Rio Maior escolheu contratar uma empresa, a «Horizonte de Projecto – Consultores em Ambiente e Paisagismo Lda.», por 11.700 euros para dar “apoio técnico à concepção e promoção do projecto de hortas urbanas”.
Noutras cidades as hortas urbanas foram feitas de forma bem mais simples, sem que se tivesse de contratar uma empresa de consultoria. Assim, muito provavelmente seria possível fazer o mesmo poupando e até envolvendo os cidadãos interessados na discussão e elaboração das regras do projecto.
# Publicado no jornal Região de Rio Maior, edição de 20 de Janeiro de 2012, página 2
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Parabéns à EICEL
Por Carla Rodrigues
Parabéns à EICEL, finalmente conseguiu interessar a Câmara Municipal de Rio Maior o suficiente para sair dos Paços do Concelho e acompanhar uma visita à Mina do Espadanal....
Será que finalmente vão começar a dar importância ao património mineiro do município?
NOTA: o jornal Região de Rio Maior conta que:
"António Filipe, deputado do Partido Comunista Português na Assembleia da República, deslocou-se a Rio Maior, no passado dia 6, para reunir com a associação EICEL e para visitar o antigo complexo mineiro do Espadanal.
Na véspera, a Câmara Municipal procedeu a uma limpeza do local, removendo pneus velhos e parte do entulho de obras que ali se encontravam depositados, para além de cortar silvas. Além disso, e ao contrário do que tinha acontecido com a recente visita ao local de uma deputada do Bloco de Esquerda, desta vez a Câmara fez-se representar pelo vereador Nuno Malta, acompanhado pelo assessor Paulo Colaço e pelo técnico Carlos Pereira. E ainda recebeu António Filipe nos Paços do Concelho, tendo aí comparecido também o vice-presidente da Câmara, Carlos Frazão Correia.
Recorde-se que no mês passado a referida deputada do BE, Catarina Martins, tinha denunciado que o antigo complexo mineiro estava a ser utilizado como lixeira, tendo interpelado sobre isso o secretário de Estado da Cultura."
domingo, 8 de janeiro de 2012
Desenvolvimento Minado
Artigo de Rodrigo Gonçalves
Publicado no site Comuna.net
«Precisamos de chamar a sociedade civil e dar-lhe voz. Ouvi-la não pelo formalismo de a colocar na oportunidade de se exprimir, mas atender realmente àquilo que ela diz.» dixit Pedro Passos Coelho no lançamento da iniciativa Mais Sociedade, que tinha como pretensão enaltecer a chamada «sociedade civil». Ora isto é a teoria. Vejamos a prática.
Embora já conhecidos desde finais do século XIX, os afloramentos de carvão no concelho só começam a suscitar interesse durante a I Guerra Mundial, devido sobretudo à subida dos preços dos combustíveis causada pelo conflito. Depois de algumas disputas locais, é criada em 1920 a Empresa Industrial, Carbonífera e Eletrotécnica, Limitada (EICEL) com o objetivo de explorar e transformar a lignite (carvão fóssil onde se reconhece ainda restos de vegetais ), mas também de produzir energia elétrica em centrais térmicas. Tendo obtido a concessão de dois coutos mineiros – Quinta da Várzea e Espadanal – é sobretudo nesta última que se vai concentrar a lavra mineira. Face à dificuldade de importação de carvão estrangeiro, o Estado Novo decide investir na produção nacional de combustíveis fósseis, dando assim o impulso decisivo à atividade mineira no Espadanal, o que iria transformar irreversivelmente a sociedade riomaiorense. De facto, a lavra trouxe à então vila cerca de 1500 pessoas, operários e respetivas famílias, oriundos de norte a sul do país o que representou um acréscimo de 25% na população da freguesia em apenas dois anos. O contacto entre dois realidades distintas – a operária vinda de fora e a riomaiorense - com mentalidades e vivências diferentes nem sempre foi fácil; contudo foi no plano das condições básicas de vida (saúde, alojamento e educação) que existiram mais problemas, não conseguindo as estruturas locais acompanhar a evolução populacional. A situação acabou por ser resolvida pela entidade empregadora com a criação de vários equipamentos sociais (posto médico, escola, centro de assistência infantil, bairros). Apesar da fraca qualidade de vida no inicio, a comunidade operária desde cedo desenvolveu uma rica atividade cultural, associativa e desportiva. Sendo este último aspeto merecedor de maior destaque: de facto, foi neste contexto que a atividade desportiva teve o seu “pontapé de saída” em Rio Maior, com a fundação do Clube de Futebol Os Mineiros que dispunha de um dos melhores campos de jogo do distrito (com o seu piso em... cinzas de carvão).
No entanto com o fim do conflito internacional, retomou-se a importação a bom preço de carvão e petróleo; foi então decidido construir uma fábrica de briquetes (aglomerados de lignite prensada) para rentabilizar os avultados investimentos realizados. Com linhas eminentemente modernas, a monumentalidade da fábrica e da chaminé anexa (curiosamente alinhada com a antiga Avenida Salazar) foi testemunha tanto do período áureo como da decadência do couto mineiro. Para travar esta decadência, causada pela crescente substituição do carvão pelo petróleo, equacionou-se, de novo, a construção da central termoelétrica. No entanto, e apesar de haver reservas para 10 a 15 anos que seriam exploradas a céu aberto, o projeto da EDP não saiu do papel, ditando o fim da concessão mineira (a fábrica tinha encerrado em 1969, despedindo todos os trabalhadores).
Atualmente, Rio Maior autointitula-se Cidade do Desporto, sendo de facto notável a aposta da autarquia nesta área. Contudo a mesma autarquia esquece-se do que esteve na origem da atividade desportiva local: a mina. Ora era de esperar que algo que tanta influência teve para toda uma comunidade fosse valorizado, transformando-o em núcleo museológico evocativo do passado, tornando-se assim um dos ex-libris do concelho. Tal como o é o castelo em Óbidos ou o mosteiro em Alcobaça. O que para os outros é uma mais-valia em Rio Maior é desperdiçado como o demonstra o que tem acontecido: transformação do espaço em estaleiro municipal, demolição de uma parte do complexo, venda ilegal de partes do arquivo. Chegando mesmo a ser equacionada a demolição da fábrica pelo anterior executivo (liderado por um professor de história) que julgava que uma simples estátua representando um mineiro e a presença da chaminé incrustada numa grande superfície a construir no local bastariam para evocar mais de cinquenta anos de atividade. Felizmente houve vozes que se insurgiram contra o estado de abandono a que mina tinha sido entregue, surgindo então um movimento associativo que estará na origem da EICEL (a associação que adotou o nome da antiga concessionária) conseguindo demover o executivo das suas intenções. Isto foi antes de 2009. Eleições, nova maioria (PSD+CSD), nova presidência de câmara... ocupada pela antiga presidente de Junta de Freguesia – antiga apoiante do primeiro movimento associativo – e que deu o dito por não dito. O que fez com que tudo voltasse à estaca zero. A associação apresentou um projeto que contemplava a implementação de um centro de estudos do património mineiro enquadrado num projeto mais amplo dedicado ao estudo da geologia local (areias, basaltos de Alcobertas, calcários da Serra dos Candeeiros, salinas), elaborado pelo seu presidente, sem expensas para a câmara. No entanto tal oferta foi recusada utilizando como justificação conceitos antitéticos (“Não toleramos ingerências na propriedade privada da Câmara Municipal”), preferindo o executivo pagar por um projeto muito semelhante. E Quando questionada acerca do motivo que a levou a chumbar um pedido de classificação do complexo mineiro como património de interesse municipal advogou que tal decisão punha em causa os interesses privados dos proprietários dos terrenos contíguos.
Aqui podemos ver que afinal o PSD é como o eucalipto que impede que algo cresce em seu redor (nem o CDS pia). E como o eucalipto, mantém-se impune e vai se reforçando com o tempo, até encontrar adversário à altura. No entanto associações cívicas como esta (que se propunha valorizar um património ligado ao trabalho e ao progresso) vão contribuindo para mostrar que a tal “sociedade civil” está viva e que a participação política não se deve resumir a depositar um voto numa urna de quatro em quatro anos. Então mas não era Passos Coelho que apregoava os méritos da sociedade civil? Era. Mas para ele sociedade civil deve ser sinónimo de interesses financeiros; antónimo de uma participação cívica que denuncie a gestão de interesses particulares a que muitas câmaras se dedicaram.
Publicado no site Comuna.net
«Precisamos de chamar a sociedade civil e dar-lhe voz. Ouvi-la não pelo formalismo de a colocar na oportunidade de se exprimir, mas atender realmente àquilo que ela diz.» dixit Pedro Passos Coelho no lançamento da iniciativa Mais Sociedade, que tinha como pretensão enaltecer a chamada «sociedade civil». Ora isto é a teoria. Vejamos a prática.
Em Rio Maior existe uma associação cívica, denominada EICEL, cujo o principal objetivo é recuperar o património e reabilitar a memória mineira aos quais não se tem dado a devida importância.
Breve contextualização da importância da mina de carvão.
Embora já conhecidos desde finais do século XIX, os afloramentos de carvão no concelho só começam a suscitar interesse durante a I Guerra Mundial, devido sobretudo à subida dos preços dos combustíveis causada pelo conflito. Depois de algumas disputas locais, é criada em 1920 a Empresa Industrial, Carbonífera e Eletrotécnica, Limitada (EICEL) com o objetivo de explorar e transformar a lignite (carvão fóssil onde se reconhece ainda restos de vegetais ), mas também de produzir energia elétrica em centrais térmicas. Tendo obtido a concessão de dois coutos mineiros – Quinta da Várzea e Espadanal – é sobretudo nesta última que se vai concentrar a lavra mineira. Face à dificuldade de importação de carvão estrangeiro, o Estado Novo decide investir na produção nacional de combustíveis fósseis, dando assim o impulso decisivo à atividade mineira no Espadanal, o que iria transformar irreversivelmente a sociedade riomaiorense. De facto, a lavra trouxe à então vila cerca de 1500 pessoas, operários e respetivas famílias, oriundos de norte a sul do país o que representou um acréscimo de 25% na população da freguesia em apenas dois anos. O contacto entre dois realidades distintas – a operária vinda de fora e a riomaiorense - com mentalidades e vivências diferentes nem sempre foi fácil; contudo foi no plano das condições básicas de vida (saúde, alojamento e educação) que existiram mais problemas, não conseguindo as estruturas locais acompanhar a evolução populacional. A situação acabou por ser resolvida pela entidade empregadora com a criação de vários equipamentos sociais (posto médico, escola, centro de assistência infantil, bairros). Apesar da fraca qualidade de vida no inicio, a comunidade operária desde cedo desenvolveu uma rica atividade cultural, associativa e desportiva. Sendo este último aspeto merecedor de maior destaque: de facto, foi neste contexto que a atividade desportiva teve o seu “pontapé de saída” em Rio Maior, com a fundação do Clube de Futebol Os Mineiros que dispunha de um dos melhores campos de jogo do distrito (com o seu piso em... cinzas de carvão).
No entanto com o fim do conflito internacional, retomou-se a importação a bom preço de carvão e petróleo; foi então decidido construir uma fábrica de briquetes (aglomerados de lignite prensada) para rentabilizar os avultados investimentos realizados. Com linhas eminentemente modernas, a monumentalidade da fábrica e da chaminé anexa (curiosamente alinhada com a antiga Avenida Salazar) foi testemunha tanto do período áureo como da decadência do couto mineiro. Para travar esta decadência, causada pela crescente substituição do carvão pelo petróleo, equacionou-se, de novo, a construção da central termoelétrica. No entanto, e apesar de haver reservas para 10 a 15 anos que seriam exploradas a céu aberto, o projeto da EDP não saiu do papel, ditando o fim da concessão mineira (a fábrica tinha encerrado em 1969, despedindo todos os trabalhadores).
Presente e Futuro
Atualmente, Rio Maior autointitula-se Cidade do Desporto, sendo de facto notável a aposta da autarquia nesta área. Contudo a mesma autarquia esquece-se do que esteve na origem da atividade desportiva local: a mina. Ora era de esperar que algo que tanta influência teve para toda uma comunidade fosse valorizado, transformando-o em núcleo museológico evocativo do passado, tornando-se assim um dos ex-libris do concelho. Tal como o é o castelo em Óbidos ou o mosteiro em Alcobaça. O que para os outros é uma mais-valia em Rio Maior é desperdiçado como o demonstra o que tem acontecido: transformação do espaço em estaleiro municipal, demolição de uma parte do complexo, venda ilegal de partes do arquivo. Chegando mesmo a ser equacionada a demolição da fábrica pelo anterior executivo (liderado por um professor de história) que julgava que uma simples estátua representando um mineiro e a presença da chaminé incrustada numa grande superfície a construir no local bastariam para evocar mais de cinquenta anos de atividade. Felizmente houve vozes que se insurgiram contra o estado de abandono a que mina tinha sido entregue, surgindo então um movimento associativo que estará na origem da EICEL (a associação que adotou o nome da antiga concessionária) conseguindo demover o executivo das suas intenções. Isto foi antes de 2009. Eleições, nova maioria (PSD+CSD), nova presidência de câmara... ocupada pela antiga presidente de Junta de Freguesia – antiga apoiante do primeiro movimento associativo – e que deu o dito por não dito. O que fez com que tudo voltasse à estaca zero. A associação apresentou um projeto que contemplava a implementação de um centro de estudos do património mineiro enquadrado num projeto mais amplo dedicado ao estudo da geologia local (areias, basaltos de Alcobertas, calcários da Serra dos Candeeiros, salinas), elaborado pelo seu presidente, sem expensas para a câmara. No entanto tal oferta foi recusada utilizando como justificação conceitos antitéticos (“Não toleramos ingerências na propriedade privada da Câmara Municipal”), preferindo o executivo pagar por um projeto muito semelhante. E Quando questionada acerca do motivo que a levou a chumbar um pedido de classificação do complexo mineiro como património de interesse municipal advogou que tal decisão punha em causa os interesses privados dos proprietários dos terrenos contíguos.
Aqui podemos ver que afinal o PSD é como o eucalipto que impede que algo cresce em seu redor (nem o CDS pia). E como o eucalipto, mantém-se impune e vai se reforçando com o tempo, até encontrar adversário à altura. No entanto associações cívicas como esta (que se propunha valorizar um património ligado ao trabalho e ao progresso) vão contribuindo para mostrar que a tal “sociedade civil” está viva e que a participação política não se deve resumir a depositar um voto numa urna de quatro em quatro anos. Então mas não era Passos Coelho que apregoava os méritos da sociedade civil? Era. Mas para ele sociedade civil deve ser sinónimo de interesses financeiros; antónimo de uma participação cívica que denuncie a gestão de interesses particulares a que muitas câmaras se dedicaram.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
PSD e CDS querem cobrar em 2012 mais 800 mil euros aos riomaiorenses, pelos serviços de recolha de esgotos e de lixo!
Foi uma das razões porque a bancada do Projecto de Cidadania/Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Rio Maior votou contra a proposta de orçamento municipal para 2012. O PS desta vez também votou contra. A CDU absteve-se.
Leia aqui a intervenção da deputada Carla Rodrigues:
"Nesta discussão do orçamento iniciamos por nos congratular com a inclusão no mesmo de obras que temos vindo a defender ao longo do tempo. Falamos do saneamento em Casais Monizes e do abastecimento de água na Marmeleira.
Este orçamento, mereceu a nossa maior atenção, logo desde as primeiras páginas. Assim, verificamos a partir da página 6, esta proposta de orçamento enquadra a situação em termos conjunturais, no mundo, no país e nos municípios de uma maneira geral. Esperava-se, por uma questão de lógica, e em termos de enquadramento na conjuntura, que se desse um panorama de Rio Maior no seio desta conjuntura. Mas, acerca de Rio Maior, nem uma palavra.
No texto de introdução ao orçamento, assinado pela srª Presidente da Câmara é referido que “é nas autarquias que se iniciam e terminam os problemas das populações”. Não podemos deixar de concordar. No entanto não vislumbramos uma palavra de defesa do município relativamente à razia provocada pelas políticas do governo PSD / CDS. Conseguimos, no entanto, verificar que os eventuais problemas das populações são ultrapassados por outros mais prementes, senão, não veríamos cortes da ordem dos 18% para as freguesias (pagina 40) e cortes de apenas 2% para a Desmor, para dar apenas um exemplo.
No texto introdutório podemos ainda ler que é nas autarquias que “se cumprem as funções sociais mais básicas”, sendo estas “ nos tempos de aperto, que contribuem para o equilíbrio social, para a continuidade do tecido associativo e da participação da sociedade civil”.
Perguntamos se a “continuidade do tecido associativo “referida no já citado texto introdutório está patente numa postura avessa à colaboração com algumas associações do concelho como a EICEL, por exemplo.
O que nos leva à pagina 63 do orçamento para lhe perguntar que tipo de obra vai ser realizada com 300 euros no Complexo Mineiro do Espadanal depois de se terem gasto 15 000 euros num estudo/ projecto, até agora inútil, acerca da mesma?
Perguntamos ainda se “a participação da sociedade cívil” referida no mesmo texto introdutório se refere à recusa de contemplar em orçamento a implementação de um orçamento participativo, verdadeira forma de participação da sociedade civil, porque apoiada na manifestação e resolução de dificuldades por quem as sente.
Perguntamos ainda se a Câmara pretende contribuir para o equilíbrio social, cobrando aos munícipes mais 800 000 € do que no ano anterior, em saneamento e resíduos sólidos (páginas 27 e 30), e apresentando uma política de contas assente basicamente na redução de despesas com o pessoal (página 20)."
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