segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Parabéns à EICEL



Por Carla Rodrigues

Parabéns à EICEL, finalmente conseguiu interessar a Câmara Municipal de Rio Maior o suficiente para sair dos Paços do Concelho e acompanhar uma visita à Mina do Espadanal....

Será que finalmente vão começar a dar importância ao património mineiro do município?



NOTA: o jornal Região de Rio Maior conta que:  

"António Filipe, deputado do Partido Comunista Português na Assembleia da República, deslocou-se a Rio Maior, no passado dia 6, para reunir com a associação EICEL e para visitar o antigo complexo mineiro do Espadanal.
Na véspera, a Câmara Municipal procedeu a uma limpeza do local, removendo pneus velhos e parte do entulho de obras que ali se encontravam depositados, para além de cortar silvas. Além disso, e ao contrário do que tinha acontecido com a recente visita ao local de uma deputada do Bloco de Esquerda, desta vez a Câmara fez-se representar pelo vereador Nuno Malta, acompanhado pelo assessor Paulo Colaço e pelo técnico Carlos Pereira. E ainda recebeu António Filipe nos Paços do Concelho, tendo aí comparecido também o vice-presidente da Câmara, Carlos Frazão Correia.
Recorde-se que no mês passado a referida deputada do BE, Catarina Martins, tinha denunciado que o antigo complexo mineiro estava a ser utilizado como lixeira, tendo interpelado sobre isso o secretário de Estado da Cultura."

domingo, 8 de janeiro de 2012

Desenvolvimento Minado

Artigo de  Rodrigo Gonçalves

Publicado no site Comuna.net

«Precisamos de chamar a sociedade civil e dar-lhe voz. Ouvi-la não pelo formalismo de a colocar na oportunidade de se exprimir, mas atender realmente àquilo que ela diz.» dixit Pedro Passos Coelho no lançamento da iniciativa Mais Sociedade, que tinha como pretensão enaltecer a chamada «sociedade civil». Ora isto é a teoria. Vejamos a prática.

Em Rio Maior existe uma associação cívica, denominada EICEL, cujo o principal objetivo é recuperar o património e reabilitar a memória mineira aos quais não se tem dado a devida importância.

Breve contextualização da importância da mina de carvão.

Embora já conhecidos desde finais do século XIX, os afloramentos de carvão no concelho só começam a suscitar interesse durante a I Guerra Mundial, devido sobretudo à subida dos preços dos combustíveis causada pelo conflito. Depois de algumas disputas locais, é criada em 1920 a Empresa Industrial, Carbonífera e Eletrotécnica, Limitada (EICEL) com o objetivo de explorar e transformar a lignite (carvão fóssil onde se reconhece ainda restos de vegetais ), mas também de produzir energia elétrica em centrais térmicas. Tendo obtido a concessão de dois coutos mineiros – Quinta da Várzea e Espadanal – é sobretudo nesta última que se vai concentrar a lavra mineira. Face à dificuldade de importação de carvão estrangeiro, o Estado Novo decide investir na produção nacional de combustíveis fósseis, dando assim o impulso decisivo à atividade mineira no Espadanal, o que iria transformar irreversivelmente a sociedade riomaiorense. De facto, a lavra trouxe à então vila cerca de 1500 pessoas, operários e respetivas famílias, oriundos de norte a sul do país o que representou um acréscimo de 25% na população da freguesia em apenas dois anos. O contacto entre dois realidades distintas – a operária vinda de fora e a riomaiorense - com mentalidades e vivências diferentes nem sempre foi fácil; contudo foi no plano das condições básicas de vida (saúde, alojamento e educação) que existiram mais problemas, não conseguindo as estruturas locais acompanhar a evolução populacional. A situação acabou por ser resolvida pela entidade empregadora com a criação de vários equipamentos sociais (posto médico, escola, centro de assistência infantil, bairros). Apesar da fraca qualidade de vida no inicio, a comunidade operária desde cedo desenvolveu uma rica atividade cultural, associativa e desportiva. Sendo este último aspeto merecedor de maior destaque: de facto, foi neste contexto que a atividade desportiva teve o seu “pontapé de saída” em Rio Maior, com a fundação do Clube de Futebol Os Mineiros que dispunha de um dos melhores campos de jogo do distrito (com o seu piso em... cinzas de carvão).

No entanto com o fim do conflito internacional, retomou-se a importação a bom preço de carvão e petróleo; foi então decidido construir uma fábrica de briquetes (aglomerados de lignite prensada) para rentabilizar os avultados investimentos realizados. Com linhas eminentemente modernas, a monumentalidade da fábrica e da chaminé anexa (curiosamente alinhada com a antiga Avenida Salazar) foi testemunha tanto do período áureo como da decadência do couto mineiro. Para travar esta decadência, causada pela crescente substituição do carvão pelo petróleo, equacionou-se, de novo, a construção da central termoelétrica. No entanto, e apesar de haver reservas para 10 a 15 anos que seriam exploradas a céu aberto, o projeto da EDP não saiu do papel, ditando o fim da concessão mineira (a fábrica tinha encerrado em 1969, despedindo todos os trabalhadores).

Presente e Futuro

Atualmente, Rio Maior autointitula-se Cidade do Desporto, sendo de facto notável a aposta da autarquia nesta área. Contudo a mesma autarquia esquece-se do que esteve na origem da atividade desportiva local: a mina. Ora era de esperar que algo que tanta influência teve para toda uma comunidade fosse valorizado, transformando-o em núcleo museológico evocativo do passado, tornando-se assim um dos ex-libris do concelho. Tal como o é o castelo em Óbidos ou o mosteiro em Alcobaça. O que para os outros é uma mais-valia em Rio Maior é desperdiçado como o demonstra o que tem acontecido: transformação do espaço em estaleiro municipal, demolição de uma parte do complexo, venda ilegal de partes do arquivo. Chegando mesmo a ser equacionada a demolição da fábrica pelo anterior executivo (liderado por um professor de história) que julgava que uma simples estátua representando um mineiro e a presença da chaminé incrustada numa grande superfície a construir no local bastariam para evocar mais de cinquenta anos de atividade. Felizmente houve vozes que se insurgiram contra o estado de abandono a que mina tinha sido entregue, surgindo então um movimento associativo que estará na origem da EICEL (a associação que adotou o nome da antiga concessionária) conseguindo demover o executivo das suas intenções. Isto foi antes de 2009. Eleições, nova maioria (PSD+CSD), nova presidência de câmara... ocupada pela antiga presidente de Junta de Freguesia – antiga apoiante do primeiro movimento associativo – e que deu o dito por não dito. O que fez com que tudo voltasse à estaca zero. A associação apresentou um projeto que contemplava a implementação de um centro de estudos do património mineiro enquadrado num projeto mais amplo dedicado ao estudo da geologia local (areias, basaltos de Alcobertas, calcários da Serra dos Candeeiros, salinas), elaborado pelo seu presidente, sem expensas para a câmara. No entanto tal oferta foi recusada utilizando como justificação conceitos antitéticos (“Não toleramos ingerências na propriedade privada da Câmara Municipal”), preferindo o executivo pagar por um projeto muito semelhante. E Quando questionada acerca do motivo que a levou a chumbar um pedido de classificação do complexo mineiro como património de interesse municipal advogou que tal decisão punha em causa os interesses privados dos proprietários dos terrenos contíguos.

Aqui podemos ver que afinal o PSD é como o eucalipto que impede que algo cresce em seu redor (nem o CDS pia). E como o eucalipto, mantém-se impune e vai se reforçando com o tempo, até encontrar adversário à altura. No entanto associações cívicas como esta (que se propunha valorizar um património ligado ao trabalho e ao progresso) vão contribuindo para mostrar que a tal “sociedade civil” está viva e que a participação política não se deve resumir a depositar um voto numa urna de quatro em quatro anos. Então mas não era Passos Coelho que apregoava os méritos da sociedade civil? Era. Mas para ele sociedade civil deve ser sinónimo de interesses financeiros; antónimo de uma participação cívica que denuncie a gestão de interesses particulares a que muitas câmaras se dedicaram.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

PSD e CDS querem cobrar em 2012 mais 800 mil euros aos riomaiorenses, pelos serviços de recolha de esgotos e de lixo!

Foi uma das razões porque a bancada do Projecto de Cidadania/Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Rio Maior votou contra a proposta de orçamento municipal para 2012. O PS desta vez também votou contra. A CDU absteve-se.

Leia aqui a intervenção da deputada Carla Rodrigues:

"Nesta discussão do orçamento iniciamos por nos congratular com a inclusão no mesmo de obras que temos vindo a defender ao longo do tempo. Falamos do saneamento em Casais Monizes e do abastecimento de água na Marmeleira.

Este orçamento, mereceu a nossa maior atenção, logo desde as primeiras páginas. Assim, verificamos a partir da página 6, esta proposta de orçamento enquadra a situação em termos conjunturais, no mundo, no país e nos municípios de uma maneira geral. Esperava-se, por uma questão de lógica, e em termos de enquadramento na conjuntura, que se desse um panorama de Rio Maior no seio desta conjuntura. Mas, acerca de Rio Maior, nem uma palavra.

No texto de introdução ao orçamento, assinado pela srª Presidente da Câmara é referido que “é nas autarquias que se iniciam e terminam os problemas das populações”. Não podemos deixar de concordar. No entanto não vislumbramos uma palavra de defesa do município relativamente à razia provocada pelas políticas do governo PSD / CDS. Conseguimos, no entanto, verificar que os eventuais problemas das populações são ultrapassados por outros mais prementes, senão, não veríamos cortes da ordem dos 18% para as freguesias (pagina 40) e cortes de apenas 2% para a Desmor, para dar apenas um exemplo.

No texto introdutório podemos ainda ler que é nas autarquias que “se cumprem as funções sociais mais básicas”, sendo estas “ nos tempos de aperto, que contribuem para o equilíbrio social, para a continuidade do tecido associativo e da participação da sociedade civil”.

Perguntamos se a “continuidade do tecido associativo “referida no já citado texto introdutório está patente numa postura avessa à colaboração com algumas associações do concelho como a EICEL, por exemplo.

O que nos leva à pagina 63 do orçamento para lhe perguntar que tipo de obra vai ser realizada com 300 euros no Complexo Mineiro do Espadanal depois de se terem gasto 15 000 euros num estudo/ projecto, até agora inútil, acerca da mesma?

 Perguntamos ainda se “a participação da sociedade cívil” referida no mesmo texto introdutório se refere à recusa de contemplar em orçamento a implementação de um orçamento participativo, verdadeira forma de participação da sociedade civil, porque apoiada na manifestação e resolução de dificuldades por quem as sente.

Perguntamos ainda se a Câmara pretende contribuir para o equilíbrio social, cobrando aos munícipes mais 800 000 € do que no ano anterior, em saneamento e resíduos sólidos (páginas 27 e 30), e apresentando uma política de contas assente basicamente na redução de despesas com o pessoal (página 20)."

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Projecto de Cidadania alerta para o agravamento do desemprego no concelho de Rio Maior

Assembleia Municipal aprovou moção

Leia aqui a intervenção da deputada Carla Rodrigues, representante do Movimento Projecto de Cidadania:

"Propomos hoje nesta assembleia uma moção alertando para o agravamento do desemprego no concelho.

Consideramos necessário sublinhar este problema na agenda política.

Segundo dados do IEFP, referentes a Novembro, são já 836 os riomaiorenses formalmente inscritos como desempregados. É o nível mais alto, pelo menos, desde Janeiro de 2004. A experiência diz-nos que a realidade será ainda pior, revelando o drama social de centenas de famílias e de milhares de pessoas, directa ou indirectamente afectadas que atinge toda a comunidade riomaiorense. Queremos com esta moção reafirmar que o combate ao desemprego é uma inadiável necessidade da sociedade no seu conjunto e tem que ser uma prioridade para o Estado e autarquias incumbindo a estes promover a execução de políticas de pleno emprego.

Para melhor conhecer a situação laboral no concelho de Rio Maior reunimos recentamente com a Comissão Sindical dos Trabalhadores da Nobre Alimentação S.A. e com a União de Sindicatos do Distrito de Santarém.
 
O retrato que surge, é que, para além do drama do desemprego, muitos riomaiorenses vivem numa situação de pobreza mesmo tendo empregos a tempo inteiro, devido aos baixos salários e ao agravamento do custo de vida. É o caso de grande parte das operárias da Nobre Alimentação que ganham apenas à volta de 500 euros por mês. Recomendamos, neste sentido a criação de um fundo de emergência social.

Relembramos que há um ano atrás, esta Assembleia aprovou, por unanimidade, uma medida concreta de combate ao desemprego, por nós proposta, no sentido de o município, através de um protocolo com a Associação Portuguesa do Direito ao Crédito, apoiar a difusão entre a população riomaiorense do acesso ao microcrédito para desenvolvimento de actividades económicas por conta própria.

Pergunto, porque é que essa medida ainda não foi concretizada e o que é que a Câmara Municipal já fez para a sua concretização?

Outra realidade existente em Rio Maior é a repressão económica e psicológica sobre os trabalhadores para que não defendam os seus interesses e direitos, nomeadamente sindicalizando-se, o que é um grave atropelo à cidadania e à democracia.

Tendo em consideração esta situação concreta saudamos a coragem e determinação de todos os que participaram na greve geral do passado dia 24 de Novembro.

Saudamos também a eleição de uma riomaiorense, Célia Colaço, operária na Nobre, para a direcção da União de Sindicatos do Distrito de Santarém."

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Petição contra estacionamento pago nas ruas de Rio Maior foi subscrita por 769 munícipes

O movimento Projecto de Cidadania entregou na Câmara Municipal de Rio Maior uma petição, subscrita por 769 munícipes, contra a proposta, apresentada e aprovada em reunião de Câmara, pela coligação PSD+CDS, com a abstenção do PS, para que passe a ser pago o estacionamento na via pública em grande parte da cidade de Rio Maior.

Para além de ter promovido esta petição, o Projecto de Cidadania entregou um parecer à Câmara, distribuiu 1500 folhetos informativos. E a sua representante na Assembleia Municipal apresentou aí um requerimento pedindo vários esclarecimentos.

O Conteúdo da petição é o seguinte:

"Exma. Sra. presidente da Câmara Municipal de Rio Maior


Os Cidadãos abaixo assinados, no uso do direito conferido pelo artigo 52º da Constituição da República Portuguesa, e nos termos da Lei n.º 43/90 de 10 de Agosto, com as alterações introduzidas pela Lei n.º6/93 de 1 de Março e pela Lei n.º 15/2003 de 4 de Junho, tendo tomado conhecimento do projecto de Regulamento Municipal das Zonas de Estacionamento de Duração Limitada da cidade de Rio Maior, constante no Aviso 22870/2011, publicado no Diário da República, 2ª Série, n.º 223, de 21 de Novembro de 2011:
 

Consideram que o referido projecto:
Ao pretender que cerca de 900 lugares de estacionamento em via pública na cidade de Rio Maior passem a ser pagos, não apresentando sequer um estudo sobre o impacto económico que poderá ter, prejudicará Rio Maior e quem aqui vive e trabalha, agravando o seu custo de vida e afastando potenciais consumidores do comércio local.
Relativamente aos residentes, incide sobre a zona de maior concentração populacional da cidade, mas apenas prevê a atribuição de cerca de 90 cartões, com um custo anual de, pelo menos, 30 euros, sem indicação de alternativas de estacionamento para quem não tiver acesso ao mesmo.
Pelo que solicitam que o projecto em apreço seja abandonado."


Mirante:
"Petição contra estacionamento tarifado em Rio Maior"

Rede Regional:
"Estacionamento pago em Rio Maior origina abaixo-assinado"

Rádio Benedita FM:
"Movimento Projecto de Cidadania contra estacionamento pago"

Jornal das Caldas:
"Estacionamento com parquímetros contestado"

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Bloco de Esquerda questiona Secretário de Estado da Cultura sobre abandono do património histórico mineiro de Rio Maior

Catarina Martins
Catarina Martins, deputada do Bloco de Esquerda na Assembleia da República, esteve em Rio Maior onde visitou o antigo complexo mineiro do Espadanal e teve uma reunião com a associação EICEL.
Quatro dias depois, dirigiu ao Secretário de Estado da Cultura a seguinte pergunta:

"Em visita do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda ao complexo mineiro do Espadanal, no passado dia 10 de Dezembro, foi, lamentavelmente, evidente o abandono a que o complexo está votado e, mais ainda, foi possível constatar a utilização deste património histórico industrial, pela própria Câmara Municipal de Rio Maior, como depósito de resíduos e materiais de construção a céu aberto e sem qualquer vedação, a apenas 50 metros de um estabelecimento de ensino do 1º Ciclo, o Centro Escolar N.º 2 de Rio Maior. A protecção deste importante património é, portanto, da máxima urgência, tanto para evitar a sua completa destruição, como para garantir a segurança pública.


A exploração da Mina do Espadanal, no concelho de Rio Maior, transformou de forma relevante e perene as estruturas demográfica, social, económica, urbana, cultural e desportiva da sede do concelho, particularmente nas décadas de quarenta, cinquenta e sessenta do século XX, contribuindo de forma decisiva para que a então Vila de Rio Maior ganhasse dimensão para atingir o estatuto de cidade que hoje detém.

A importância histórica e arquitectónica do património mineiro do concelho de Rio Maior foi reconhecida em Pareceres emitidos pelo antigo IPPAR, pela antiga Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), e pela Sociedade Espanhola para a Defesa do Património Geológico e Mineiro (SEDPGYM), defendendo de forma unânime a necessidade da sua classificação, e através da inventariação pela Ordem dos Arquitectos no Inquérito à Arquitectura Portuguesa no Século XX (IAPXX).


O “valor simbólico e identitário da fábrica de briquetes para Rio Maior” foi também reconhecido pelo então Ministério da Cultura em resposta a um requerimento de um deputado do Grupo Parlamentar do PCP à Assembleia da República, em Setembro de 2007.


A nível académico, o valor histórico e cultural deste património já foi realçado e fundamentado pelo professor Ivan Carlos Costa, na sua dissertação de Seminário Científico-Pedagógico, no âmbito de Licenciatura em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, e publicada pelo jornal Região de Rio Maior, em 1999/2000, intitulada “As Minas de Lignite de Rio Maior e sua importância socioeconómica para a região e para o país”, e pelo arquitecto Nuno Alexandre Rocha, na sua tese de Mestrado em Arte, Património e Teoria do Restauro, defendida, em Maio de 2011, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, sob o título “Couto Mineiro do Espadanal (Rio Maior). História, Património, Identidade”.


No dia 8 de Agosto do corrente ano de 2011, foi apresentado pela EICEL 1920, Associação para a Defesa do Património Mineiro, Industrial e Arquitectónico, um pedido de abertura de procedimento administrativo tendo em vista a Classificação do conjunto edificado composto pela antiga fábrica de briquetes e plano inclinado de extracção da Mina do Espadanal, sito em Rio Maior, enquanto Património de Interesse Municipal, nos termos da Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro, e do Decreto-lei n.º 309/2009, de 23 de Outubro. Mas este pedido foi indeferido pela Câmara Municipal de Rio Maior em reunião ordinária realizada a 11 de Novembro de 2011.


Contrariando todos os pareceres existentes, a Câmara Municipal de Rio Maior não procedeu à avaliação dos critérios genéricos de apreciação das formas de protecção legal do património definidos pelo artigo 17º da Lei nº 107/2001, de 8 de Setembro, a saber: “Para a classificação ou a inventariação, em qualquer uma das categorias referidas no artigo 15º (imóveis de interesse nacional, imóveis de interesse público e imóveis de interesse municipal), serão tidos em conta algum ou alguns dos seguintes critérios: a) o carácter matricial do bem; b) o génio do respectivo criador; c) o interesse do bem como testemunho simbólico ou religioso; d) o interesse do bem como testemunho notável de vivências ou factos históricos; o valor estético, técnico ou material intrínseco do bem; f) a concepção arquitectónica, urbanística e paisagística; g) a extensão do bem e o que nela se reflecte do ponto de vista da memória colectiva; h) a importância do bem do ponto de vista da investigação histórica ou científica; i) as circunstâncias susceptíveis de acarretarem diminuição ou perda da perenidade ou da integridade do bem."


Na sua fundamentação do indeferimento, a Câmara Municipal de Rio Maior apresenta interpretação própria do acto de classificação restrita a um único critério de “medida meramente preventiva, quando em presença de uma situação de perigo de perda de um património ou sítio”. Esta interpretação restritiva é inexistente no articulado da Lei nº 107/2001, de 8 de Setembro.


Reunião com a EICEL
Em oposição à proposta de classificação apresentada pela EICEL1920, a Câmara Municipal de Rio Maior alega, contrariando o conceito de protecção legal do património consagrado na Lei nº107/2001, de 8 de Setembro, que “o início de um processo e posterior classificação de um sítio implica uma série de condicionantes que, regra geral podem constituir mais um entrave que um apoio na gestão do património.”

Em declarações à Agência Lusa proferidas no dia 30 de Novembro, a actual presidente da Câmara Municipal de Rio Maior acrescentou que a classificação “não é oportuna neste momento, porque não podemos inviabilizar projectos de alguns proprietários instalados nas imediações”.


Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Secretário de Estado da Cultura, as seguintes perguntas:


1. Tem o Governo conhecimento da interpretação que a autarquia de Rio Maior faz sobre a Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro, de que “o início de um processo e posterior classificação de um sítio implica uma série de condicionantes que, regra geral podem constituir mais um entrave que um apoio na gestão do património”, e restringindo a sua aplicação apenas “como medida meramente preventiva, quando em presença de uma situação de perigo de perda de um património ou sítio”? Concorda com esta interpretação?


2. Não considera o Governo que a recusa de classificação de património para protecção de interesses individuais de proprietários privados é incompatível com a Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro, bem como com o exercício da defesa dos interesses de uma comunidade previsto pelo artigo 235º da Constituição da República Portuguesa?


3. Tem o Governo conhecimento que o complexo mineiro do Espadanal está a ser utilizado como depósito de resíduos e materiais de construção?


4. Pondera o Governo, na sequência dos pareceres da tutela do património cultural sobre esta matéria, dialogar com a autarquia de Rio Maior no sentido de encontrar os mecanismos necessários para a salvaguarda e valorização do complexo mineiro do Espadanal?"

domingo, 11 de dezembro de 2011

Campanha contra estacionamento pago

O movimento Projecto de Cidadania distribuiu hoje 1500 folhetos na cidade de Rio Maior contra o projecto, aprovado na Câmara Municipal pela coligação PSD+CDS (com a abstenção do PS), para que passem a ser pagos cerca de 900 lugares de estacionamento em ruas da cidade.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Projecto de estacionamento pago: Porque é que a Câmara Municipal não procedeu a uma maior divulgação junto dos cidadãos riomaiorenses?

É uma das questões colocadas ao executivo camarário pela deputada municipal do movimento Projecto de Cidadania, Carla Rodrigues, em requerimento:

"Em relação ao projecto de Regulamento Municipal das Zonas de Estacionamento de Duração Limitada da Cidade de Rio Maior, constante no Aviso n.º 22870/2011, publicado no Diário da República, 2.ª Série, n.º 223, de 21 de Novembro de 2011, e no quadro do respectivo período de apreciação pública (...):
1 - Foi feito um estudo do impacto económico que o projecto supracitado poderá ter no comércio da zona abrangida?
2 - Tendo em conta o número limitado de cartões de morador que é previsto no supracitado projecto, qual a alternativa de lugares de estacionamento que a Câmara Municipal de Rio Maior disponibiliza para os residentes que não tenham acesso ao cartão de morador?
3 - Foi feito um estudo do número de moradores residentes, e respectivas necessidades de estacionamento, na área abrangida pelo supracitado projecto?
4 - Foi feito um estudo do número de pessoas que trabalham na área abrangida pelo supracitado projecto, e respectivas necessidades de estacionamento junto dos seus locais de trabalho?
5 - Foi feito um estudo dos custos que o tarifário proposto acarretará para as pessoas que trabalham na área abrangida?
6 - Porque é que a Câmara Municipal não procedeu a uma maior divulgação do supracitado projecto junto dos cidadãos riomaiorenses?"

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