segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O preço das hortas urbanas de Rio Maior

Por Carlos Carujo

A ideia das hortas urbanas, que tem sido posta em prática um pouco por todo o país, é boa.

Permite a quem tem menos recursos obter produtos de qualidade indispensáveis à sua subsistência. Permite a quem vive numa cidade ter um contacto directo com a terra, com os seus ritmos e os seus produtos. Permite aprofundar o diálogo e as trocas de saberes entre pessoas de formações e gerações diferentes.

Saúda-se portanto que se tenha desenvolvido um tal projecto em Rio Maior. O que se questiona é que se tenha escolhido uma via cara para o implementar. A Câmara Municipal de Rio Maior escolheu contratar uma empresa, a «Horizonte de Projecto – Consultores em Ambiente e Paisagismo Lda.», por 11.700 euros para dar “apoio técnico à concepção e promoção do projecto de hortas urbanas”.

Noutras cidades as hortas urbanas foram feitas de forma bem mais simples, sem que se tivesse de contratar uma empresa de consultoria. Assim, muito provavelmente seria possível fazer o mesmo poupando e até envolvendo os cidadãos interessados na discussão e elaboração das regras do projecto.

# Publicado no jornal Região de Rio Maior, edição de 20 de Janeiro de 2012, página 2

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Parabéns à EICEL



Por Carla Rodrigues

Parabéns à EICEL, finalmente conseguiu interessar a Câmara Municipal de Rio Maior o suficiente para sair dos Paços do Concelho e acompanhar uma visita à Mina do Espadanal....

Será que finalmente vão começar a dar importância ao património mineiro do município?



NOTA: o jornal Região de Rio Maior conta que:  

"António Filipe, deputado do Partido Comunista Português na Assembleia da República, deslocou-se a Rio Maior, no passado dia 6, para reunir com a associação EICEL e para visitar o antigo complexo mineiro do Espadanal.
Na véspera, a Câmara Municipal procedeu a uma limpeza do local, removendo pneus velhos e parte do entulho de obras que ali se encontravam depositados, para além de cortar silvas. Além disso, e ao contrário do que tinha acontecido com a recente visita ao local de uma deputada do Bloco de Esquerda, desta vez a Câmara fez-se representar pelo vereador Nuno Malta, acompanhado pelo assessor Paulo Colaço e pelo técnico Carlos Pereira. E ainda recebeu António Filipe nos Paços do Concelho, tendo aí comparecido também o vice-presidente da Câmara, Carlos Frazão Correia.
Recorde-se que no mês passado a referida deputada do BE, Catarina Martins, tinha denunciado que o antigo complexo mineiro estava a ser utilizado como lixeira, tendo interpelado sobre isso o secretário de Estado da Cultura."

domingo, 8 de janeiro de 2012

Desenvolvimento Minado

Artigo de  Rodrigo Gonçalves

Publicado no site Comuna.net

«Precisamos de chamar a sociedade civil e dar-lhe voz. Ouvi-la não pelo formalismo de a colocar na oportunidade de se exprimir, mas atender realmente àquilo que ela diz.» dixit Pedro Passos Coelho no lançamento da iniciativa Mais Sociedade, que tinha como pretensão enaltecer a chamada «sociedade civil». Ora isto é a teoria. Vejamos a prática.

Em Rio Maior existe uma associação cívica, denominada EICEL, cujo o principal objetivo é recuperar o património e reabilitar a memória mineira aos quais não se tem dado a devida importância.

Breve contextualização da importância da mina de carvão.

Embora já conhecidos desde finais do século XIX, os afloramentos de carvão no concelho só começam a suscitar interesse durante a I Guerra Mundial, devido sobretudo à subida dos preços dos combustíveis causada pelo conflito. Depois de algumas disputas locais, é criada em 1920 a Empresa Industrial, Carbonífera e Eletrotécnica, Limitada (EICEL) com o objetivo de explorar e transformar a lignite (carvão fóssil onde se reconhece ainda restos de vegetais ), mas também de produzir energia elétrica em centrais térmicas. Tendo obtido a concessão de dois coutos mineiros – Quinta da Várzea e Espadanal – é sobretudo nesta última que se vai concentrar a lavra mineira. Face à dificuldade de importação de carvão estrangeiro, o Estado Novo decide investir na produção nacional de combustíveis fósseis, dando assim o impulso decisivo à atividade mineira no Espadanal, o que iria transformar irreversivelmente a sociedade riomaiorense. De facto, a lavra trouxe à então vila cerca de 1500 pessoas, operários e respetivas famílias, oriundos de norte a sul do país o que representou um acréscimo de 25% na população da freguesia em apenas dois anos. O contacto entre dois realidades distintas – a operária vinda de fora e a riomaiorense - com mentalidades e vivências diferentes nem sempre foi fácil; contudo foi no plano das condições básicas de vida (saúde, alojamento e educação) que existiram mais problemas, não conseguindo as estruturas locais acompanhar a evolução populacional. A situação acabou por ser resolvida pela entidade empregadora com a criação de vários equipamentos sociais (posto médico, escola, centro de assistência infantil, bairros). Apesar da fraca qualidade de vida no inicio, a comunidade operária desde cedo desenvolveu uma rica atividade cultural, associativa e desportiva. Sendo este último aspeto merecedor de maior destaque: de facto, foi neste contexto que a atividade desportiva teve o seu “pontapé de saída” em Rio Maior, com a fundação do Clube de Futebol Os Mineiros que dispunha de um dos melhores campos de jogo do distrito (com o seu piso em... cinzas de carvão).

No entanto com o fim do conflito internacional, retomou-se a importação a bom preço de carvão e petróleo; foi então decidido construir uma fábrica de briquetes (aglomerados de lignite prensada) para rentabilizar os avultados investimentos realizados. Com linhas eminentemente modernas, a monumentalidade da fábrica e da chaminé anexa (curiosamente alinhada com a antiga Avenida Salazar) foi testemunha tanto do período áureo como da decadência do couto mineiro. Para travar esta decadência, causada pela crescente substituição do carvão pelo petróleo, equacionou-se, de novo, a construção da central termoelétrica. No entanto, e apesar de haver reservas para 10 a 15 anos que seriam exploradas a céu aberto, o projeto da EDP não saiu do papel, ditando o fim da concessão mineira (a fábrica tinha encerrado em 1969, despedindo todos os trabalhadores).

Presente e Futuro

Atualmente, Rio Maior autointitula-se Cidade do Desporto, sendo de facto notável a aposta da autarquia nesta área. Contudo a mesma autarquia esquece-se do que esteve na origem da atividade desportiva local: a mina. Ora era de esperar que algo que tanta influência teve para toda uma comunidade fosse valorizado, transformando-o em núcleo museológico evocativo do passado, tornando-se assim um dos ex-libris do concelho. Tal como o é o castelo em Óbidos ou o mosteiro em Alcobaça. O que para os outros é uma mais-valia em Rio Maior é desperdiçado como o demonstra o que tem acontecido: transformação do espaço em estaleiro municipal, demolição de uma parte do complexo, venda ilegal de partes do arquivo. Chegando mesmo a ser equacionada a demolição da fábrica pelo anterior executivo (liderado por um professor de história) que julgava que uma simples estátua representando um mineiro e a presença da chaminé incrustada numa grande superfície a construir no local bastariam para evocar mais de cinquenta anos de atividade. Felizmente houve vozes que se insurgiram contra o estado de abandono a que mina tinha sido entregue, surgindo então um movimento associativo que estará na origem da EICEL (a associação que adotou o nome da antiga concessionária) conseguindo demover o executivo das suas intenções. Isto foi antes de 2009. Eleições, nova maioria (PSD+CSD), nova presidência de câmara... ocupada pela antiga presidente de Junta de Freguesia – antiga apoiante do primeiro movimento associativo – e que deu o dito por não dito. O que fez com que tudo voltasse à estaca zero. A associação apresentou um projeto que contemplava a implementação de um centro de estudos do património mineiro enquadrado num projeto mais amplo dedicado ao estudo da geologia local (areias, basaltos de Alcobertas, calcários da Serra dos Candeeiros, salinas), elaborado pelo seu presidente, sem expensas para a câmara. No entanto tal oferta foi recusada utilizando como justificação conceitos antitéticos (“Não toleramos ingerências na propriedade privada da Câmara Municipal”), preferindo o executivo pagar por um projeto muito semelhante. E Quando questionada acerca do motivo que a levou a chumbar um pedido de classificação do complexo mineiro como património de interesse municipal advogou que tal decisão punha em causa os interesses privados dos proprietários dos terrenos contíguos.

Aqui podemos ver que afinal o PSD é como o eucalipto que impede que algo cresce em seu redor (nem o CDS pia). E como o eucalipto, mantém-se impune e vai se reforçando com o tempo, até encontrar adversário à altura. No entanto associações cívicas como esta (que se propunha valorizar um património ligado ao trabalho e ao progresso) vão contribuindo para mostrar que a tal “sociedade civil” está viva e que a participação política não se deve resumir a depositar um voto numa urna de quatro em quatro anos. Então mas não era Passos Coelho que apregoava os méritos da sociedade civil? Era. Mas para ele sociedade civil deve ser sinónimo de interesses financeiros; antónimo de uma participação cívica que denuncie a gestão de interesses particulares a que muitas câmaras se dedicaram.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

PSD e CDS querem cobrar em 2012 mais 800 mil euros aos riomaiorenses, pelos serviços de recolha de esgotos e de lixo!

Foi uma das razões porque a bancada do Projecto de Cidadania/Bloco de Esquerda na Assembleia Municipal de Rio Maior votou contra a proposta de orçamento municipal para 2012. O PS desta vez também votou contra. A CDU absteve-se.

Leia aqui a intervenção da deputada Carla Rodrigues:

"Nesta discussão do orçamento iniciamos por nos congratular com a inclusão no mesmo de obras que temos vindo a defender ao longo do tempo. Falamos do saneamento em Casais Monizes e do abastecimento de água na Marmeleira.

Este orçamento, mereceu a nossa maior atenção, logo desde as primeiras páginas. Assim, verificamos a partir da página 6, esta proposta de orçamento enquadra a situação em termos conjunturais, no mundo, no país e nos municípios de uma maneira geral. Esperava-se, por uma questão de lógica, e em termos de enquadramento na conjuntura, que se desse um panorama de Rio Maior no seio desta conjuntura. Mas, acerca de Rio Maior, nem uma palavra.

No texto de introdução ao orçamento, assinado pela srª Presidente da Câmara é referido que “é nas autarquias que se iniciam e terminam os problemas das populações”. Não podemos deixar de concordar. No entanto não vislumbramos uma palavra de defesa do município relativamente à razia provocada pelas políticas do governo PSD / CDS. Conseguimos, no entanto, verificar que os eventuais problemas das populações são ultrapassados por outros mais prementes, senão, não veríamos cortes da ordem dos 18% para as freguesias (pagina 40) e cortes de apenas 2% para a Desmor, para dar apenas um exemplo.

No texto introdutório podemos ainda ler que é nas autarquias que “se cumprem as funções sociais mais básicas”, sendo estas “ nos tempos de aperto, que contribuem para o equilíbrio social, para a continuidade do tecido associativo e da participação da sociedade civil”.

Perguntamos se a “continuidade do tecido associativo “referida no já citado texto introdutório está patente numa postura avessa à colaboração com algumas associações do concelho como a EICEL, por exemplo.

O que nos leva à pagina 63 do orçamento para lhe perguntar que tipo de obra vai ser realizada com 300 euros no Complexo Mineiro do Espadanal depois de se terem gasto 15 000 euros num estudo/ projecto, até agora inútil, acerca da mesma?

 Perguntamos ainda se “a participação da sociedade cívil” referida no mesmo texto introdutório se refere à recusa de contemplar em orçamento a implementação de um orçamento participativo, verdadeira forma de participação da sociedade civil, porque apoiada na manifestação e resolução de dificuldades por quem as sente.

Perguntamos ainda se a Câmara pretende contribuir para o equilíbrio social, cobrando aos munícipes mais 800 000 € do que no ano anterior, em saneamento e resíduos sólidos (páginas 27 e 30), e apresentando uma política de contas assente basicamente na redução de despesas com o pessoal (página 20)."

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Projecto de Cidadania alerta para o agravamento do desemprego no concelho de Rio Maior

Assembleia Municipal aprovou moção

Leia aqui a intervenção da deputada Carla Rodrigues, representante do Movimento Projecto de Cidadania:

"Propomos hoje nesta assembleia uma moção alertando para o agravamento do desemprego no concelho.

Consideramos necessário sublinhar este problema na agenda política.

Segundo dados do IEFP, referentes a Novembro, são já 836 os riomaiorenses formalmente inscritos como desempregados. É o nível mais alto, pelo menos, desde Janeiro de 2004. A experiência diz-nos que a realidade será ainda pior, revelando o drama social de centenas de famílias e de milhares de pessoas, directa ou indirectamente afectadas que atinge toda a comunidade riomaiorense. Queremos com esta moção reafirmar que o combate ao desemprego é uma inadiável necessidade da sociedade no seu conjunto e tem que ser uma prioridade para o Estado e autarquias incumbindo a estes promover a execução de políticas de pleno emprego.

Para melhor conhecer a situação laboral no concelho de Rio Maior reunimos recentamente com a Comissão Sindical dos Trabalhadores da Nobre Alimentação S.A. e com a União de Sindicatos do Distrito de Santarém.
 
O retrato que surge, é que, para além do drama do desemprego, muitos riomaiorenses vivem numa situação de pobreza mesmo tendo empregos a tempo inteiro, devido aos baixos salários e ao agravamento do custo de vida. É o caso de grande parte das operárias da Nobre Alimentação que ganham apenas à volta de 500 euros por mês. Recomendamos, neste sentido a criação de um fundo de emergência social.

Relembramos que há um ano atrás, esta Assembleia aprovou, por unanimidade, uma medida concreta de combate ao desemprego, por nós proposta, no sentido de o município, através de um protocolo com a Associação Portuguesa do Direito ao Crédito, apoiar a difusão entre a população riomaiorense do acesso ao microcrédito para desenvolvimento de actividades económicas por conta própria.

Pergunto, porque é que essa medida ainda não foi concretizada e o que é que a Câmara Municipal já fez para a sua concretização?

Outra realidade existente em Rio Maior é a repressão económica e psicológica sobre os trabalhadores para que não defendam os seus interesses e direitos, nomeadamente sindicalizando-se, o que é um grave atropelo à cidadania e à democracia.

Tendo em consideração esta situação concreta saudamos a coragem e determinação de todos os que participaram na greve geral do passado dia 24 de Novembro.

Saudamos também a eleição de uma riomaiorense, Célia Colaço, operária na Nobre, para a direcção da União de Sindicatos do Distrito de Santarém."

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